A ENFERMAGEM E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO EM SAÚDE
Wilson Danilo Lunardi Filho
Gisamara Girardi Fontes de Avila
Eloísa da Fonseca Rodrigues
A presente reflexão é resultante do processo de ensino aprendizagem experienciado na disciplina de Organização do Trabalho da Enfermagem/Saúde ministrada no Curso de Mestrado em Enfermagem de uma Universidade do Rio Grande do Sul. Os objetivos pretendidos foram procurar compreender o processo de trabalho como relação social e política entre diversos agentes envolvidos no processo de produção do trabalho em saúde; identificar as influências das formas de gestão administrativa na organização do trabalho em saúde; identificar a influência das diferentes formas de organização no trabalho da enfermagem. A metodologia baseou-se no levantamento de elementos-chave que emergiram das discussões e reflexões, durante os encontros com o demais discentes no período compreendido entre agosto e dezembro de 2004. O substrato teórico apóia-se em idéias de Marx, para o qual o processo de trabalho é atividade dirigida com fim de criar valores-de–uso, de apropriar os elementos naturais às necessidades humanas como condição necessária do intercâmbio material entre o homem e a natureza; idéias de Taylor, Fayol e Smith, nas questões administrativas com a introdução dos princípios científicos, substituindo os métodos “empíricos” de administrar; e idéias de Dejours, que caracteriza a organização do trabalho como a divisão do trabalho, o conteúdo da tarefa, o sistema hierárquico, as relações de poder e de responsabilidade. Conclusão: com o capitalismo, a força do trabalho humano foi valorizada e, então, observada a necessidade de cuidados à saúde das pessoas, entendida não apenas como condição inerente ao ser humano, mas fundamental para a produção. As práticas de saúde absorveram a ideologia capitalista, legitimando a hegemonia de classe e as relações de dominação/subordinação entre os diferentes agentes sociais e trabalhadores em saúde, aparecendo o trabalho da enfermagem, na área da saúde, como exemplo da dicotomia entre o trabalho manual e intelectual. Felizmente, a organização do trabalho em saúde, embora ainda venha seguindo a lógica da fragmentação do homem, desconsiderando seu contexto histórico e social, vem mostrando sinais de esgotamento, pois o processo de trabalho em saúde precisa desenvolver-se de forma integral, holística, interdependente, interdisciplinar e coletiva. A enfermagem, assim como outras profissões da área da saúde, é responsável apenas por uma parte do cuidado ao ser humano e interdepende dos demais conhecimentos para dar conta da complexidade humana.
Correspondência para: Wilson Danilo Lunardi Filho, e-mail:
lunardifilho@terra.com.br
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