1A VULNERABILIDADE DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA EPIDEMIA DA AIDS
Diego Schaurich
Maria da Graça Corso da Motta
O conceito de vulnerabilidade tem despontado nas últimas décadas como importante constructo teórico e prático que possibilita a compreensão de determinados fenômenos de saúde e doença na população; dentre estes fenômenos ressalta sua ampla utilização no contexto da epidemia da AIDS. Neste sentido, o HIV/AIDS que inicialmente encontrou-se restrito a determinados grupos e/ou comportamentos de risco, contemporaneamente já não mais se vincula a determinados segmentos humanos, podendo vir a acometer todos os indivíduos, independente de raça, idade, credo, sexo, cor e orientação sexual; assim, percebe-se que a epidemia da AIDS atingiu, nos tempos atuais, o núcleo da família, uma vez que percebe-se o aumentar de casos de novas infecções e obaserva-se que muitas delas têm pelo menos um de seus membros infectados pelo HIV. Considera-se, neste sentido, a importância de os profissionais da saúde refletirem acerca dos planos de vulnerabilidade individual, social e programático que fazem parte do existir das famílias que (con)vivem com o HIV/AIDS. Pode-se, então, considerar como plano individual aquele que representa o conjunto dinâmico das vulnerabilidades de cada um de seus membros, bem como o fator que revela a consciência do grupo familiar e sua liberdade para dialogar, criticar e refletir acerca de atitudes e/ou comportamentos; porém, destaca-se que a vulnerabilidade individual é para além da soma equacional das vulnerabilidades de seus membros, representando um modo de ser coletivo na individualidade da família. Em relação à vulnerabilidade social, acredita-se que diz respeito à capacidade de seus membros inserirem-se na sociedade, de freqüentarem escolas, serviços de saúde, a possibilidade de lazer, de moradia adequada, entre outros. A vulnerabilidade programática da família refere-se ao investimento governamental em ações, políticas e programas destinados ao grupo familiar, os recursos humanos e financeiros destinados ao setor saúde e educação para o HIV/AIDS, entre outros. Sendo assim, entende-se que estes 3 planos estão inter-relacionados e são interdependentes, e que é cada vez mais fundamental que os profissionais da saúde percebam que para além de uma maior suscetibilidade – pessoal, coletiva e programática – dos indivíduos, há, também, uma vulnerabilidade da família como grupo individual e social à infecção pelo HIV e/ou adoecimento por AIDS.
Correspondência para: Diego Schaurich, e-mail: eu_diegosch@hotmail.com
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