Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CRIPTOCOCOSE: ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO E MICROBIOLÓGICO EM AIDS

Priscilla Martins Hernandes Santos

Camila Souza Crovador

Augusto Azevedo Silva

Edna A. Martins

Margarete T. Gottardo Almeida

Criptococose é uma infecção fúngica profunda de distribuição mundial causada pela levedura capsulada Cryptococcus neoformans. Sua forma clínica mais comum, a neurocriptococose, atinge principalmente pacientes imunocomprometidos como portadores de HIV. O problema da criptococose como co-infecção à AIDS é tão importante, a ponto de os sistemas de vigilância epidemiológica considerá-la uma “infecção sentinela”. Há que se acrescentar que o agente C. neoformans se apresenta em duas variedades (var.): a var. neoformans (sorotipos A e D) mais freqüente em pessoas imunocomprometidas e a var. gattii (sorotipos B e C) infectando principalmente indivíduos sadios. A alta prevalência de infecções fúngicas e a introdução de novos agentes antifúngicos como proposta terapêutica apontam para a necessidade de se investigar o comportamento bioquímico e fenotípico desses fungos. Diante disto, a pesquisa tem como objetivo buscar melhores condições de saúde dos portadores de neurocriptococose e HIV concomitantemente, por meio de análise dos aspectos epidemiológico, clínico e microbiológico de C. neoformans. Para tal, avaliou-se 65 isolados clínicos deste agente, obtidos do líquido cerebrospinal de pacientes atendidos pelo Serviço de Neurologia de um hospital de grande porte no período de 1999 a 2005. Realizou-se o diagnóstico da infecção por meio da análise citológica (presença de levedura capsulada), bioquímica (identificação do gênero, da espécie e da variedade) dos achados clínicos e avaliação da susceptibilidade aos antifúngicos por difusão em discos. Do estudo em questão, 78,5% dos pacientes pertencem ao gênero masculino com idade média de 38,3 anos e a população feminina (21,5%) com idade média de 33,8 anos. Destes pacientes, 30 residem em São José do Rio Preto e 26 em outras cidades pertencentes à DIR XXII. Na análise microbiológica 100% das amostras apresentaram leveduras capsuladas. O agente causador da neurocriptococose apresentou 89% var. neoformans. Em relação ao aspecto clínico, 90% dos pacientes apresentaram cefaléia. No teste de susceptibilidade aos antifúngicos, todos mostraram-se sensíveis à anfotericina-B, 47% sensíveis ao itraconazol e 24,6% ao fluconazol. O presente estudo segue a tendência de outras pesquisas no aspecto epidemiológico, na prevalência da var. neoformans em pacientes imunocomprometidos e na variação de resposta aos antifingicos. Apoio: PIBIC / CNPq, FAEPE, CECON.

Correspondência para: Priscilla Martins Hernandes Santos, e-mail: priscilla_mhs@yahoo.com.br