Goiânia, 07 de novembro de 2005.

RELIGIOSIDADE E CUIDADO: MODELO DE SAÚDE TRADICIONAL X PSF

Elaine Antunes Cortez

Florence Romijn Tocantins

Helena de Carvalho

Esta pesquisa configura-se no trabalho de conclusão do curso de Especialização em Saúde da Família. Surgiu a partir de nossa observação de que os usuários dos serviços de saúde expressam a religiosidade de forma direta e indireta em seus discursos. Objetivo: comparar a valorização efetiva da religiosidade do usuário entre enfermeiros que trabalham no PSF com os que trabalham no modelo tradicional, contribuindo para a reflexão e reformulação da formação profissional, assim como no cuidado prestado ao usuário. O estudo é descritivo, quanti -qualitativo com os dados coletados através de um questionário. Sujeitos: 25 enfermeiros que trabalham no PSF e 25 enfermeiros que trabalham no modelo tradicional de saúde afim de que fizéssemos uma comparação entre os profissionais por categoria. Categorias analisadas: cuidado e religião; saberes e influências; conflitos de saberes e formação profissional. A análise mostrou que os profissionais do modelo tradicional têm práticas mais conservadoras e assistenciais, e aliado a isso existe um poder/cultura, que interfere e invalida a religiosidade frente ao saber científico, não que isto seja culpa dos mesmos, porém eles foram educados em meio a práticas biomédicas. Identificamos uma valorização mais efetiva da religiosidade dos usuários pelos profissionais do PSF, esses entendem que quando o usuário utiliza práticas populares de saúde, ele na verdade está buscando uma forma ideológica e social de tratamento mais próxima da sua realidade. A reformulação da formação do profissional de saúde, no que tange essa temática, se faz necessário para que o cuidado prestado seja mais efetivo, visto que a religiosidade se faz presente na vida da maioria dos usuários, e este tema é pouco discutido na universidade.

Correspondência para: Elaine Antunes Cortez, e-mail: nanicortez@hotmail.com