O DIÁLOGO ENFERMEIRO/CLIENTE: UMA POSSIBILIDADE TEÓRICO-METODOLÓGICA
Sonia Mara Faria Simões
A enfermagem moderna teve sua origem com Florence Nightingale. No Brasil, a profissão surge oficialmente em 1923. Desde então, sofreu influências dos diversos contextos sociais, históricos, políticos e culturais que marcaram a história do país. No final da década de 60, inicia-se a construção de concepções teóricas, também com a iniciativa da enfermagem norte-americana na busca de autonomia profissional. Porém, o interesse e a linguagem sobre as teorias de enfermagem se destacam prioritariamente no espaço acadêmico brasileiro. Assim, a situação atual da prática do enfermeiro revela avanços, mas também conflitos de ordens práticas e teóricas impondo uma urgente re-visão das concepções teórico-metodológicas no seu processo de cuidar. Nesse sentido, este trabalho se configura como reflexão tendo como objetivo discutir a relação dialógica enfermeiro/cliente como possibilidade teórico-metodológica no cuidar em enfermagem. Basicamente, as teorias se propõem a descrição, explicação, previsão e controle de acontecimentos e apresentam explícita ou implicitamente uma metodologia que possibilita a sistematização de cuidados humanizados, enfoca a obtenção de resultados desejados direcionando o trabalho do enfermeiro e equipe. Dentre as várias classificações para as teorias, quando esta se prende ao foco, relação cliente-enfermeiro, destaco as Teorias da Interação já que consideram a enfermagem como um processo interpessoal, na qual o cuidado é percebido como um ato humanista. Assim, a partir de minhas vivências e experiências em enfermagem no âmbito da assistência, pesquisa e ensino entendo hoje a enfermagem como uma prática relacional quando lida com seus pares no mundo do cuidar em saúde. Mas, ao estar-com o cliente, família e/ou comunidade, a enfermeira, sua pre-sença profissional ocorre quando esse cuidar se expressa como dialógico, quando se revela como pré-sença no modo-de-ser-profissional de enfermagem cuidando de pre-sença no modo-de-ser-cliente. Portanto, a relação assistencial dialógica dá voz ao cliente a quem o cuidado é destinado, valoriza o que sente, pensa, deseja e aceita. Essa é a nossa especificidade que se expressará como prática significante para o cliente, e como profissionalmente adequada perante seus pares. Com tantas implicações impostas pela trajetória da enfermagem brasileira e frente às exigências sociais, a recomendação adequada é estabelecer reflexões críticas e epistemológicas sobre a relação dialógica na prática do enfermeiro.
Correspondência para: Sonia Mara Faria Simões, e-mail: soniamarafsimoes@aol.com
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