Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ACOLHIMENTO E MUDANÇAS NO TRABALHO DA ENFERMAGEM EM CAMPINAS-SP

Maíra Libertad Soligo Takemoto

Eliete Maria Silva

Relata as transformações no trabalho da enfermagem com a incorporação do Acolhimento na implementação do Projeto Paidéia de Saúde da Família na Secretaria Municipal de Saúde de Campinas – SP, a partir de 2001. A partir de uma abordagem qualitativa, analisa os dados obtidos através de observação participante do trabalho de enfermagem em cinco Centros de Saúde e de 15 entrevistas semi-estruturadas com enfermeiras, auxiliares de enfermagem e coordenadoras de unidade, buscando identificar as concepções dos trabalhadores acerca do Acolhimento, os modos de organizar o processo de trabalho para sua incorporação e as transformações no trabalho de enfermagem por referência a ele. Identifica dois modos diferentes de compreendê-lo: como postura diante do usuário e suas necessidades e como dispositivo capaz de organizar o processo de trabalho na unidade (enquanto uma etapa do processo de trabalho). Houve predominância da segunda concepção, tendo o Acolhimento sido organizado, em quatro das cinco unidades, como uma atividade nova, um outro “procedimento” para atender a demanda espontânea, sem conseguir romper com uma lógica médico-centrada e sem ampliar as possibilidades do serviço de atender as necessidades de saúde da população. No entanto, há que se destacar a ampliação do acesso e a humanização da recepção das unidades como conquistas importantes alcançadas a partir da implementação do Acolhimento, no sentido da construção de um modelo de atenção centrado nas necessidades dos usuários. Além desse aspecto, os trabalhadores, em especial as auxiliares de enfermagem, referem uma satisfação maior com o trabalho, que ganha mais sentido, tornando-se menos mecânico, mais autônomo, com mais espaço para interação com o restante da equipe e usuários. Apenas em uma unidade o Acolhimento é entendido como uma postura, sem um lugar específico no processo de trabalho, podendo e devendo acontecer em todos os momentos de encontro entre trabalhadores e usuários, como um atendimento respeitoso com o usuário, com o compromisso constante com a identificação e satisfação de necessidades.

Correspondência para: Eliete Maria Silva, e-mail: emsilva@fcm.unicamp.br