PROCESSO DE TRABALHO DA ENFERMAGEM: O CUIDADO COMO PONTO DE REFLEXÃO
Laura Cristina da Silva
Danilelle Boing Bernardes Silva
Este estudo nasceu da necessidade de uma reflexão mais aprofundada e ampliada acerca do objeto epistemológico da enfermagem: o cuidado. Atualmente, muito se fala que o cuidado é o objeto de trabalho da enfermagem. Mas, no cotidiano da prática da profissão o que vemos é uma dificuldade dos profissionais conceituarem o que é cuidado, bem como sua representação para a enfermagem. O que os enfermeiros concebem por cuidado? Qual relação é feita por estes profissionais no dia a dia interagindo com famílias, clientes, colegas e acadêmicos? Será que o cuidado maternal, feminino é a compreensão que ainda persiste na percepção dos enfermeiros? Foi com estas preocupações e objetivando a reflexão no campo de atuação de uma unidade de internação pediátrica de um hospital escola do sul do Brasil, que foi realizada uma pesquisa com as enfermeiras atuantes nesta área. Como metodologia, foi aplicado um questionário com perguntas abertas e observação da prática de cuidado das mesmas. Participaram do estudo cinco enfermeiras que desejaram colaborar com a pesquisa de campo, tendo garantido o anonimato de seus nomes e dados. Após o levantamento dos dados foi realizada uma categorização simples seguindo a base das perguntas realizadas na entrevistas. Foi possível verificar que o cuidado foi disseminado como objeto de trabalho da enfermagem, mas que não houve momentos de reflexão acerca da complexidade que o ato de cuidar exige, bem como a necessidade de expandir esta reflexão no ensino e formação de novos enfermeiros. É fato que o ato de cuidar é o objeto epistemológico da enfermagem, pois com o cuidado estamos buscando a qualidade de vida das pessoas, capacitando-as para o autocuidado, confortando-as e fortalecendo-as para tentarem o equilíbrio e a manutenção do ser saudável. Os enfermeiros possuem ainda, a visão de que o cuidado está atrelado a doação, ao fazer repetitivo e socializado sem repensar o que está diante de nossos olhos, ou seja, cada vez mais as pessoas estão se conscientizando da sua cidadania, seu valor íntimo e sua especificidade. Assim, este estudo pode levar para as enfermeiras da unidade de internação pediátrica a possibilidade de uma reflexão que possa fundamentar a práxis necessária para a atualidade. .
Correspondência para: Laura Cristina da Silva, e-mail: lislaura@terra.com.br
|