ABSENTEÍSMO DOS FUNCIONÁRIOS DE UM HOSPITAL PÚBLICO DE PRESIDENTE PRUDENTE
Tânia Maria Araujo
Rosimeire Maria de Andrade
Iracimara de Anchieta Messias
Ricardo Luís Barbosa
O ambiente hospitalar tem sido objeto de estudo no campo da saúde ocupacional, por existirem profissionais das mais diversas áreas, sejam técnicas ou administrativas. Estes trabalhadores sofrem diversos tipos de exposição à agentes químicos, físicos, mecânicos, ergonômicos e biológicos, além da exposição aos fatores psicossociais e riscos de acidentes de trabalho. A exposição crônica a tais agentes, pode, após algum tempo, desencadear doenças reconhecidas como ocupacionais, ou seja, provenientes do trabalho que o indivíduo executa. Motivados por estes fatores, buscou-se conhecer as causas do absenteísmo de funcionários de um hospital público na cidade de Presidente Prudente - SP, com o objetivo de identificar as causas destes afastamentos, e quem são os trabalhadores que estão adoecendo. Trata-se de um estudo transversal cujos dados foram obtidos dos Prontuários dos funcionários, na Guia de Perícia Médica e no Livro Registro de Licença-Saúde, compreendendo 13 anos de funcionamento do hospital. A amostra teve 352 funcionários, classificados em quatro diferentes tipos de contratação: efetivo (n=202), celetista (n=24), Lei 500/74 (n=124) e contratados (n=2). Obteve-se um total de 24703 dias de afastamento por licença e atestado médico, com uma média de 79,15 dias de afastamento por licença e de 138,31 dias de afastamento por atestado. As mulheres representaram 77,27% da amostra, e as três principais causas de afastamento foram gravidez, parto e puerpério; lesões, envenenamento e causas externas e as doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo. Observou-se que os funcionários efetivos tiveram uma média de 4,84 atestados, os funcionários enquadrados no regime celetista com média de 16,50 atestados e Lei 500/74 a média de 3,41 atestados. Pode-se concluir que os funcionários em regime de trabalho efetivo e Lei 500/74 apresentam menor número de atestados (p<0,05), indicando que eles podem estar fazendo uso de alguns benefícios como a licença-prêmio para afastamento no tratamento da saúde. As mulheres merecem atenção especial no campo da saúde ocupacional e neste trabalho, foi verificado que uma mulher tem chance de 2,18 vezes mais de ter uma licença do que o homem (IC=[1,25; 3,78]). Isso se deve entre outros fatores, ao fato de exercerem dupla jornada de trabalho, tais como: trabalho doméstico, cuidado com os filhos entre outras, além de situações especiais para afastamento como gravidez, parto e puerpério.
Correspondência para: Tânia Maria Araujo, e-mail: tanienf@bol.com.br
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