CONHECIMENTO E VIVÊNCIAS DAS ENFERMEIRAS DE UNIDADE TERAPIA INTENSIVA
Ezia Maria Corradi
A prática profissional da enfermeira numa dimensão técnica, junta-se ao cumprimento de uma conduta moral, algo distinto do desempenho técnico, porque se ocupa de atos humanos, que aliados ao avanço tecnológico, fazem com que a Enfermagem enfrente mudanças envolvendo diferentes aspectos da sua prática, principalmente para os profissionais que atuam em Unidades de Terapia Intensiva. O trabalho objetivou identificar o conhecimento e vivências das enfermeiras de UTI sobre ética na prática profissional. Estudo do tipo descritivo-exploratório com abordagem qualitativa foi realizado com 15 enfermeiras de UTI de um Hospital Universitário de Curitiba da Cidade de Curitiba, por meio de entrevista gravada. Os resultados foram categorizados em: a) concepções do que é ética, agrupadas em modo de agir e pensar, respeito, direitos e deveres, bom senso, cidadania, ciência filosófica humanística e ética x moral; onde se identificou que o modo de agir envolve conduta profissional, postura profissional, atitude humana e relacionamento; sendo que estes fatores são diretamente influenciados pela educação e cultura trazida desde a infância; b) conhecimento do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, onde 67% relatam que o conhecem mas não têm domínio deste em profundidade; c) vivências éticas decorrentes da prática profissional, categorizadas em: relacionamento interpessoal, realização de procedimentos, autonomia do paciente, sigilo profissional, religião, respeito, processos ético-legais e recém-formação. Os resultados nos permitiram verificar que, apesar 87% da população do estudo afirmarem conhecer o Código de Ética, os mesmos não demonstram domínio em relação aos componentes do mesmo. O conhecimento e as vivências éticas dos enfermeiros da UTI nos possibilitam identificar alguns elementos importantes do pensamento ético em três esferas: o falar sobre ética, o pensar sobre ética e o atuar eticamente. As contradições encontradas nos relatos nos levam a afirmar que, existem inúmeras dúvidas e momentos de insegurança no cotidiano profissional. A Enfermagem como prática social, aqui como prática do cuidado, se defronta com inúmeras situações diárias que implicam numa decisão, à qual pressupõe a presença de vários integrantes no processo (clientes, profissionais e outros) de modo a evidenciar uma escolha. Esses pontos refletem a incerteza na tomada de decisões e a dificuldade de visualizar a real responsabilidade da enfermeira.
Correspondência para: Ezia Maria Corradi, e-mail: eziamc@brturbo.com.br
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