Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ANÁLISE DO TRABALHO DO AUXILIAR DE ENFERMAGEM NA CENTRAL DE MATERIAL

Elaine Diana Kreischer

Cláudia de Souza Moraes

Maria Yvone Chaves Mauro

Maria Therezinha Nóbrega da Silva

A Central de Material e Esterilização (CME),é um setor de extrema importância na instituição, porém muitas vezes carrega o estigma de “expurgo do hospital” e local para os profissionais “em final de carreira”. Porém, como atesta LACERDA (2003), há alguns anos tem sido enfatizada a importância da Central de Material e Esterilização, para a prestação da assistência de qualidade, independente do tipo de organização na qual esta unidade está inserida. A CME é o setor que abastece toda a instituição de materiais esterilizados, e os funcionários que lá atuam desenvolvem atividades com movimentos repetitivos,muitas vezes utilizando força física, num ritmo de produção acelerado, e além disso estão expostos à agentes nocivos. Desta forma, o estudo desenvolvido foi um relato de experiência baseado em um estudo ergonômico, partindo da preocupação das autoras acerca das causas de absenteísmo na Central de Material e Esterilização de um hospital universitário. O objetivo da pesquisa foi, apresentar o estudo do processo de trabalho no cotidiano dos auxiliares de enfermagem que atuam nesta unidade utilizando a análise ergonômica da atividade. Como metodologia utilizamos o método de observação assistemática, com as técnicas de entrevista não-estruturada e a conversa-ação. Durante o mês de julho de 2004, foram realizadas visitas ao local, e, para facilitar a coleta de dados, elaboramos um roteiro para nortear as observações em campo, abordando questões como a estrutura física da unidade, condições de trabalho e organização do trabalho. Como resultados, evidenciamos no setor estudado os riscos: biológico, químico, físico, ergonômico e de acidente. Foram relatados pelos trabalhadores que as condições de trabalho que dificultam a realização de suas funções são o mobiliário e equipamentos inadequados, danificados e sem manutenção. Quanto à organização do trabalho as respostas mais comuns foram relacionadas à comunicação inadequada e falta de entrosamento com o Centro Cirúrgico. Como conclusões, o estudo revelou que, na prática dos auxiliares de enfermagem, as atividades são desenvolvidas em meio a inúmeras limitações e riscos ocupacionais, porém estes trabalhadores conseguem regular as cargas de trabalho, elaborando estratégias particulares para tal fim, e sentem-se satisfeitos no trabalho. Muitos dos problemas existentes não são percebidos pelos sujeitos do estudo como desencadeantes ou agravantes de adoecimento.

Correspondência para: Elaine Diana Kreischer, e-mail: edkreischer@uol.com.br