Goiânia, 07 de novembro de 2005.

QUALIDADE DE VIDA E REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO - ESTUDO ETNOGRÁFICO

Vanessa da Silva Carvalho Vila

Lídia Aparecida Rossi

O impacto da cirurgia de revascularização do miocárdio sobre a qualidade de vida do indivíduo e seus familiares tem sido objeto de investigação na área da saúde. O presente estudo tem como objetivo compreender o significado de qualidade de vida na perspectiva de indivíduos coronariopatas revascularizados. A fundamentação teórico-metodológica está articulada a hermenêutica dialética, a etnografia e a antropologia da saúde. Os dados foram coletados por meio de observações diretas e entrevistas semi-estruturadas no domicílio de 11 clientes e 10 familiares na cidade de Goiânia. Para análise de dados foram seguidas as etapas de leitura, codificação, organização dos dados em núcleos de significados, interpretação e derivação de temas culturais. Os participantes mencionaram que o significado de qualidade de vida está relacionado à saúde, paz na família, trabalho, lazer e “ter dinheiro” (comprar carro, medicamento, casa própria, além de viajar e passear). Esses foram considerados indicadores de uma vida “tranqüila e feliz”. A saúde foi identificada como o indicador “mais importante” e um fator essencial para que possam trabalhar, ganhar dinheiro e cuidar de sua família. Entretanto, o discurso dos participantes denota uma certa ambigüidade, pois, apesar de aliarem qualidade de vida à saúde, dinheiro e trabalho e reconhecerem que têm qualidade de vida, referem que não são sadios e possuem problemas sócio-econômicos decorrentes das limitações impostas pelas condições de saúde. O significado de qualidade de vida relaciona-se diretamente ao contexto sócio-econômico e cultural vivenciado pelo indivíduo. Trata-se de um conceito complexo, abstrato sujeito a re-significações ao longo da vida. Neste sentido, são necessários outros estudos que adotem a percepção de qualidade de vida sob o ponto de vista dos indivíduos, da família e da comunidade como referencial para a elaboração de políticas de saúde condizentes com a realidade social vivenciada pela população brasileira. Acreditamos que as intervenções coletivas e individualizadas, visando ao autocuidado e a promoção da saúde, poderão contribuir para o empowerment das pessoas que vivenciam doenças crônico-degenerativas. Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Correspondência para: Vanessa da Silva Carvalho Vila, e-mail:

vscvila@uol.com.br