ENFERMAGEM E GENÉTICA: DELINEANDO UM CURRÍCULO BASEADO EM COMPETÊNCIAS
Milena Flória Santos
Janet K. Williams
Sônia M. V. Bueno
Ester Silveira Ramos
No cenário mundial despontam questionamentos sobre educação e liderança de enfermagem em genética, sendo desafios comuns a diferentes países a importância da divulgação de conteúdos de genética para todos os enfermeiros, resistência por parte de administradores e professores universitários a modificar os currículos existentes, reconhecimento da necessidade de enfermeiros com formação acadêmica específica na área e capacidade para divulgar a importância da genética e genômica para o cuidado em saúde. A presente pesquisa divide-se em duas fases, visando a integração de conteúdos curriculares baseados em competências essenciais para enfermeiros adquirirem conhecimentos, habilidades e desenvolverem atitudes específicas ao ministrarem cuidados de enfermagem na era genômica. Primeiramente, realizamos um estudo descritivo/exploratório abordando conceitos e percepções de professores e estudantes sobre enfermagem e genética. Questionários com questões abertas foram aplicados a 22 professores e 130 graduandos de escolas públicas e privadas, em dois estados brasileiros, entre 2000-2003. As respostas foram categorizadas e comparadas com as Competências Essenciais da Coalizão Nacional para a Educação de Profissionais de Saúde em Genética (National Coalition for Health Professionals Education in Genetics, USA). Os estudantes identificaram conteúdos em 65% dos tópicos relacionados ao conhecimento, 59% das habilidades e 70% das atitudes, porém 23% desconheciam o significado do termo genômica. Atualmente, estamos realizando um levantamento nacional junto aos 496 cursos de graduação em enfermagem oficialmente reconhecidos pelo Ministério da Educação, aplicando questionários eletrônicos para identificar a extensão e os conteúdos curriculares de genética nesses cursos, a formação dos professores que ministram a disciplina e suas opiniões sobre a importância da genética para a enfermagem. Na primeira fase desse estudo, demonstramos que estudantes e professores ainda têm uma visão conservadora da enfermagem em genética, denotando a necessidade urgente de uma transformação clínico-pedagógica. Esses resultados poderão orientar o desenvolvimento de currículos de genética específicos para cursos de graduação e pós-graduação em enfermagem. A educação em genética ainda não está disponível para todos os enfermeiros brasileiros, entretanto é essencial a compreensão dos avanços na área e sua tradução para a assistência, o ensino e a pesquisa. Apoio: Fogarty International Center, NIH
Correspondência para: Milena Flória-Santos, e-mail: mfloria-santos@uiowa.edu
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