RELAÇÕES DE PODER X HUMANIZAÇÃO DO PARTO: UM DESAFIO À ENFERMAGEM
Rejane Antonello Griboski
Dirce Guilhem
INTRODUÇÃO: O estudo justifica-se face à política brasileira que prioriza a humanização do parto e nascimento e o resgate da autonomia feminina no processo. As questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva e aos direitos das mulheres trazem ao debate a submissão e vulnerabilidade das mulheres frente à assistência prestada no processo parturitivo. OBJETIVO: identificar a percepção de mulheres e de profissionais de saúde – médicos e enfermeiras – acerca da assistência ao parto e o Programa de Humanização ao Pré-Natal e Nascimento, em um Hospital Universitário. MÉTODOS: O estudo ancorou-se nos pressupostos teóricos da Bioética Feminista, que focaliza as relações de poder e gênero. Utilizou-se metodologia qualitativa – Análise de Conteúdo – com a finalidade de conhecer a realidade vivenciada pelos sujeitos no processo parturitivo. Para a pesquisa de campo, realizou-se entrevistas com mulheres no pós-parto e profissionais - enfermeiras e médicos – que atuam no referido serviço. RESULTADOS: Revelou que as mulheres aceitam a opressão e a subordinação como parte do atendimento ao parto. Em seus discursos elas sentem-se impotentes e dependentes. O medo ou o desconhecimento do processo parturitivo justifica sua submissão às ações intervencionistas dos profissionais de saúde, colocando-as em uma situação de extrema vulnerabilidade. Quanto aos profissionais especialmente, as enfermeiras, percebem a existência de uma hierarquização nas suas relações e a falta de comunicação na assistência dispensada às mulheres, o que contribui para explicitar as limitações do espaço social e dos saberes. Persiste uma relação de resistência e hierarquia entre os médicos, entre estes e as enfermeiras e entre eles e as mulheres. Estas concepções demonstram que existe uma aparente submissão das mulheres em sua relação com os profissionais de saúde, já que muitas vezes são tratadas de forma desumana, permanecendo isoladas e fragilizadas, no momento impar de sua vida. Percebe-se que é nesse corpo passivo que está inscrito a dominação e a desigualdade de gênero. CONCLUSÕES: O grande desafio colocado neste contexto consiste em fazer valer os direitos das mulheres, contribuir para a eliminação das desigualdades e das relações assimétricas que persistem no cotidiano dos serviços de saúde. Promover o resgate da autonomia feminina como elemento primordial para a sua saúde, capacitando-as, para tornarem-se visíveis e proprietárias de seus corpos, na construção de um mundo mais solidário.
Correspondência para: Rejane Antonello Griboski, e-mail: griboski@unb.br
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