“PAPO LEGAL”: RELATO DE EXPERIÊNCIA COM GRUPO DE ADOLESCENTES
Márcia Maria de Souza
Sandra Maria Brunini de Souza
Ida Kuroki Borges
Ana Luisa Neto Junqueira
Sheila Araújo Teles
Denize Bouttelet Munari
Nilza Alves Marques Almeida
Na abordagem das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), é imprescindível a prevenção como enfoque prioritário, sobretudo, se o alvo do programa for a população jovem. O grupo têm sido utilizado como um instrumento valioso e imprescindível para atingir objetivos, no entanto, é essencial o conhecimento de seu funcionamento, possibilidades e limites. Este artigo tem por objetivo relatar a experiência com grupos de adolescentes no enfoque da sexualidade, prevenção de DSTs/AIDS e gravidez, nos bairros de Tiradentes e Santa Luzia do Município de Aparecida de Goiânia/Go. Em 2003 o Núcleo de Pesquisa em DSTs/AIDS (NUCLAIS) da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás, realizou um projeto de capacitação “EDUCAR É PREVENIR”. Durante este projeto, os profissionais do Programa de Saúde da Família identificaram a necessidade de trabalhar com grupos de adolescentes para a continuidade do mesmo. Assim nasceram as oficinas “PAPO LEGAL” que foram realizadas em centros comunitários, escolas e igrejas da região e abordaram: cuidados com o corpo; gênero e sexualidade; ética, direitos humanos e cidadania e como evitar? DSTs/AIDS e gravidez. Participaram das oficinas 5 professores da FEN/UFG como mediadores e 150 adolescentes como participantes. O modelo pedagógico fundamentou-se na educação conscientizadora/ problematizadora de Paulo Freire, sustentada pela metodologia participativa e dialogada favorecendo uma relação crítica e transformadora. Utilizou-se como recursos didáticos bonecos, próteses dos órgãos genitais feminino e masculino, figuras, cartazes, músicas, fotos e desenhos. Como nossa experiência docente contemplava o modelo pedagógico tradicional este trabalho exigiu dedicação, reflexão e o desafio de execução das ações planejadas, sobretudo, no que diz respeito ao manejo do grupo de adolescentes. Nosso envolvimento contínuo como educadores e enfermeiros e a credibilidade depositada em nós pelos adolescentes foram pontos facilitadores para a operacionalização das oficinas e o alcance dos objetivos. Como ponto dificultador apontamos o curto tempo destinado para abordar as temáticas frente à motivação e participação ativa dos adolescentes. Em virtude da relevância e impacto dessas ações para a promoção de saúde, o enfermeiro necessita se instrumentar para executar trabalhos dessa natureza.
Correspondência para: Márcia Maria de Souza, e-mail: marcia@fen.ufg.br
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