ADMINISTRAÇÃO EM ENFERMAGEM: CENÁRIO ATUAL
Viviani Camboin Meireles
Laura Misue Matsuda
Jaciane Cristina Klassmann
Maria de Fátima Garcia Lopes Merino
Após os anos 70, com a globalização, os modos de produção e as relações nos mais variados planos se intensificaram. Para vencer a competitividade, as organizações, além de outros fatores, devem estar estruturadas com recursos humanos possuidores de habilidades cognitivas, comportamentais e técnicas. Devem estar comprometidos com o aumento da lucratividade e a eficácia em alcançar as metas organizacionais, através da melhoria contínua do processo de trabalho e da qualidade dos serviços. Os enfermeiros, além dessas características, necessitam ter habilidades administrativas com ênfase no pensamento estratégico. Esse profissional deve ser capaz de definir metas, elaborar planos de ação, implementar estratégias e avaliar resultados (MINTZBERG e QUINN, 2003). Esse estudo visa discutir a administração estratégica e a sua prática no contexto da enfermagem brasileira atual. A metodologia utilizada foi o levantamento bibliográfico, realizado em maio-junho de 2005. Após leitura e análise de textos, o tema foi discutido com base na realidade vivenciada pelas autoras. Conforme pontuam Fernandes et al. (2003), a enfermagem brasileira adotou os princípios das Escolas da Administração Científica e Clássica para gerir o seu trabalho caracterizado pela fragmentação do cuidado, impessoalidade no atendimento, centralização do poder e hierarquia com diversos níveis. O enfermeiro adota uma postura de controlador da equipe, servindo quase que exclusivamente aos interesses da organização. Trevizan (1988) aponta que a excessiva fragmentação e centralização do trabalho tornam o trabalhador cada vez mais especializado e técnico, voltado à execução de tarefas. Isso impossibilita a implementação da administração estratégica visto que ela depende da coesão e do envolvimento dos profissionais na integralidade do processo de trabalho, para que eles assumam a responsabilidade que lhes são atribuídas, compreendam as metas setoriais e organizacionais e comprometam-se com elas. O cenário da administração em enfermagem demonstra que os serviços não seguem os pressupostos do pensamento estratégico, tendo dificuldade na definição de objetivos, elaboração de programa de ações, aplicação de estratégias e avaliação dos resultados, imbuídos na liderança participativa. Conclui-se que é necessária a mudança de conceitos e de condutas na enfermagem brasileira, de modo que os princípios da administração estratégica sejam incorporados e sua prática possibilite o desenvolvimento da enfermagem.
Correspondência para: Viviani Camboin Meireles, e-mail:
vcmeireles@ibest.com.br
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