PELA SAÚDE, PARA ALÉM DAS DROGAS!
Rosa Maria Godoy Serpa da Fonseca
Marília Rita Ribeiro Zalaf
Hideko Takeuchi Forcella
INTRODUÇÃO: Trata-se de um projeto desenvolvido junto a trabalhadores da Coordenadoria de Assistência Social da Universidade de São Paulo, unidade de prestação de serviços que entre outras coisas, é responsável por cerca de 3. 300 bolsas de assistência estudantil (moradia, bolsa-trabalho, alimentação, estudo, emergência). Seu quadro atual é de 614 trabalhadores (a maioria com escolaridade de I Grau), dos quais cerca de 20% apresentam problemas relacionados a alcoolismo e/ou drogadição, além de desinformação sobre riscos e danos relacionados à doença. Tal situação gerou a necessidade de intervir nesse perfil com um projeto específico. OBJETIVOS: Gerais - Intervir nas condições de vulnerabilidade à doença; melhorar a qualidade de vida e trabalho; propiciar condições para acesso e exercício dos direitos ligados à saúde e à cidadania. Específicos: viabilizar espaço de informação e reflexão sobre determinantes e formas de controle do alcoolismo e da drogadição; identificar problemas relacionados à doença; reconhecer características das principais drogas e as formas de enfrentamento dos danos. METODOLOGIA: Entendendo a educação para a saúde como instrumento de conquista de melhores condições de vida e trabalho, baseia-se na educação emancipatória. Os conteúdos referem-se ao tema específico (alcoolismo e drogadição); os que são a ele vinculados (processo saúde-doença, processo de trabalho, valores relacionados à vida e ao trabalho) e seus determinantes (realidade social e historicamente determinada). Adota a estratégia da Oficina de Trabalho, desenvolvida em 5 momentos: aquecimento (estimulação para o tema), reflexão individual, reflexão grupal, síntese (revisão geral e introdução de novos conhecimentos) e avaliação. São utilizadas dinâmicas participativas facilitadoras (jogos, filmes, leituras, dramatizações etc). RESULTADOS: Além da assimilação dos sinais de reconhecimento dos limites do uso de drogas e suas formas de enfrentamento, detectam-se: ampliação da capacidade de problematizar a dependência; solicitação de atendimento visando tratamento ou acompanhamento monitorado; identificação de problemas com membros da família; solicitação de abordagem de outros temas. CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS: Mesmo sendo tema cercado de preconceito e de difícil abordagem, principalmente no ambiente de trabalho, os resultados estão acima do esperado, pois a metodologia tem propiciado também uma melhoria desse mesmo ambiente e das relações sociais no trabalho.
Correspondência para: Rosa Maria Godoy Serpa da Fonseca, e-mail: rmgsfon@usp.br
|