Goiânia, 07 de novembro de 2005.

GRUPO DE IDOSOS: REDEFININDO SABERES E PRÁTICAS DE ENFERMAGEM

Luciana da Silva Ferreira

Maria Teresinha de Oliveira Fernandes

Sônia Maria Soares

Grupo de convivência de idosos: redefinindo saberes e práticas de enfermagem Este estudo objetivou ampliar a atuação de enfermagem, num grupo de convivência de idosos, já existente, na área de abrangência de uma Unidade Básica de Saúde do Município de Belo Horizonte/MG, adequando essa prática à metodologia de grupo operativo. Apesar da tendência de enfocar o cuidado dedicado ao idoso mais aos aspectos biopsicossociais do envelhecimento, observa-se a importância da atuação da enfermagem na prevenção de agravos, educação para a saúde e reinserção do idoso nos grupos sociais. A primeira etapa da pesquisa constou da caracterização do grupo a partir das variáveis: níveis pressóricos, uso de medicamentos, IMC, atividade física, circunferência abdominal, patologias, serviços de saúde utilizados, exames anuais preconizados para o idoso, encaminhamentos realizados. A segunda objetivou redefinir as práticas de atuação da enfermagem considerando o perfil do grupo e a integração de novos saberes para o trabalho com os idosos. Os dados foram coletados por meio de prontuários, formulários confeccionados previamente, testados e aprovados pelas autoras, para registrar as ações de enfermagem junto aos idosos. Participaram da pesquisa 57 idosos integrantes do Grupo da Amizade, que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme recomenda a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Os resultados mostraram que o seguinte perfil do grupo: 68% hipertensos, 5% diabéticos, 16% diabéticos/hipertensos e 25% de outros agravos, 33% dos idosos faziam uso incorreto da medicação, 3% muito obeso, 21% obesos, 45% sobrepeso, 27% saudável e 3% baixo peso. O conhecimento do grupo possibilitou reflexões sobre a importância de redefinir nossa prática em relação ao idoso. Assim, nossas ações passaram a ser orientadas para um trabalho humanizado, priorizando a pessoa e não o aparato técnico e farmacológico buscando corresponder as necessidades do ser em processo de envelhecimento com o estado de saúde vulnerável. Participar do processo do cuidado implica em atender idosos que demandam mais tempo dos profissionais, em usar linguagem simples, adequar as orientações ao seu nível cognitivo facilitando sua assimilação. Implica ainda em nos prepararmos para lidar com seus temores, fantasias, frustrações, preconceitos da sociedade, família, comunidade e até dos profissionais com relação ao idoso.

Correspondência para: Maria Teresinha de Oliveira Fernandes, e-mail: mteresa2@uai.com.br