MULHERES SOROPOSITIVAS: ARGUMENTAÇÃO QUANTO AO USO DO PRESERVATIVO
Paula Cristine Coelho Campos
Eumendes Fernandes Carlos
Tatiana Rodrigues da Silva
Maria Bernadete de Sousa Costa
Raulangia de Lima Diniz
INTRODUÇÃO: A epidemia de Aids é um grande problema de saúde pública no Brasil, a velocidade de crescimento da epidemia é muito maior entre mulheres do que entre homens. Muitas mulheres enfrentam sérias dificuldades no que se refere à prevenção. A maioria delas não encontra meios de exigir do parceiro o sexo seguro, não pode questionar o comportamento dele e acredita que o conhece bem. OBJETIVOS: Investigar entre mulheres soropositivas, como é realizada a negociação para o uso de preservativos durante uma relação sexual. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa exploratória, com avaliação quantitativa, realizado no hospital de referência para o tratamento de HIV/AIDS no município de João Pessoa, no período de abril a junho de 2004, obedecendo às normas preceituadas pela ABNT. RESULTADOS: Durante a pesquisa foram analisadas as respostas de 14 mulheres soro-positivas, com idade entre 23 e 54 anos. A respeito da negociação para o uso de preservativos, apenas uma demonstrou ter habilidade e argumentos para negociar com o parceiro o uso de preservativos. Esta parcela declarou devolver os argumentos que o seu parceiro utilizava como estratégia de convencimento para o não uso do preservativo. As demais mulheres entrevistadas disseram não realizar qualquer tipo de negociação limitando-se se recusar a realizar práticas sexuais. Dentre estas, três declaram tentar conversar com os parceiros, se os mesmos fossem soro - positivos, sobre a possibilidade de aumento abrupto da carga viral, mas com o insucesso da negociação se restringiam a não realizar práticas sexuais. CONCLUSÕES: Estes resultados exemplificam a dificuldade que as mulheres têm de convencer os parceiros a usar o preservativo. Muitas delas não conseguem argumentos consistentes para negociar com seus parceiros e limitam-se, na maioria das vezes, a recusar-se a fazer sexo. Fica, portanto, bastante evidente as dificuldades de negociação que as mulheres enfrentam quanto ao uso do preservativo. Estas, expressam-se tanto pela falta de argumentos consistentes, pela baixa percepção de riscos como pela comercialização do sexo.
Correspondência para: Paula Cristine Coelho Campos, e-mail:
paulacristinec@hotmail.com
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