Goiânia, 07 de novembro de 2005.

A CAPACIDADE FUNCIONAL E COGNITIVA DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS

Maria Odete Pereira Hidalgo de Araújo

Francine Mara Antunes Werneck Veloso da Silva

Gleice Maria Marinho Pereira Leite

Maria Filomena Ceolim

As Instituições de longa permanência abrigam idosos dependentes e independentes, em estado de vulnerabilidade social, com ou sem vínculo familiar. Os objetivos deste trabalho foram de avaliar o grau de independência para as atividades da vida diária (AVDs); a presença de sintomas depressivos e capacidade cognitiva dos idosos residentes em uma Instituição de longa permanência de um Município do Médio Vale do Paraíba - SP; relacionar os déficits funcionais e cognitivos com a capacidade dos participantes para o autocuidado, segundo a Teoria de Dorothea Orem (1991). O projeto foi submetido e aprovado pelo CEP/Unitau, sob protocolo nº2/05. O estudo descritivo e exploratório teve como participantes, os indivíduos com 60 anos ou mais de idade, que residiam na Instituição naquele período. Foram utilizados seis instrumentos para coleta de dados como: ficha de identificação, Mini exame do estado mental (MEEM), Índice de Katz, Escala de depressão geriátrica, Teste do relógio e de Fluência verbal. Foram avaliados 5 homens e 5 mulheres com idades entre 60 e 90 anos. O principal motivo da institucionalização foi a impossibilidade de morar sozinho. Dentre os participantes, sete recebiam um salário mínimo de aposentadoria. Devido ao acentuado declínio funcional e mental que impossibilitou a responder aos testes, e recusa, 16 idosos (10 mulheres e 6 homens) não participaram do estudo. Contudo, percebeu-se que dos 10 idosos participantes, apenas três eram independentes para todas as AVDs. Na avaliação de capacidade funcional, segundo Katz, apenas três homens foram considerados independentes para todas as atividades. As principais limitações relatadas para o autocuidado foram dificuldades para banhar-se e vestir-se. Na avaliação de depressão, segundo a Escala de depressão geriátrica, três idosos apresentaram escores > 5, indicando possível processo depressivo e/ou demencial. Os resultados do MEEM mostraram que os 10 participantes apresentaram escores abaixo de 24, indicando possível processo demencial. O baixo desempenho dos idosos à aplicação do Teste do Relógio e Teste de Fluência verbal, revelou déficit de memória. Concluiu-se com o estudo que quanto mais acentuado o déficit cognitivo, maior é a incapacidade do idoso para o autocuidado. Ademais, a utilização de vários testes para a avaliação de capacidade funcional e cognitiva, permite melhor rastreamento de processo depressivo e/ou demencial.

Correspondência para: Maria Odete Pereira Hidalgo de Araújo, e-mail: m.odetepereira@gmail.com