OS PAIS E A EQUIPE DE SAÚDE NA UTI NEONATAL
Maria Aparecida Mendes de Almeida Veloso
Este estudo teve como objetivo compreender o significado que os pais atribuem à assistência que lhes é prestada enquanto seu filho está internado na UTI neonatal. A abordagem para acesso ao mundo-vida dos pais foi a pesquisa qualitativa de natureza fenomenológica. A pesquisa foi realizada no CTI neonatal da Maternidade Odete Valadares, hospital da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, referência Estadual para o parto de alto risco, que contava na época com 16 leitos. Para condução das entrevistas foi utilizada a questão norteadora: "Fale para mim sobre a sua vivência com as pessoas que cuidaram do seu filho na UTI neonatal". As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra. Foram entrevistados doze pais que tiveram seus filhos internados entre os meses de maio a agosto de 2002. As temáticas desveladas durante a análise deram origem a três categorias abertas, que foram construidas a partir da articulação entre as temáticas, as quais configuraram a estrutura do fenômeno: I. O compartilhar no mundo da UTI neonatal: Cuidar é ser com-o-outro; O cuidado do filho como primordial; Deus e equipe de saúde: cuidadores potenciais; e o descuido no mundo da UTI neonatal. II. A equipe de saúde como referencial do cuidar: Equipe de saúde: comportamento referenciado; cuidar é ser competente; Cuidar é ser amigo; Cuidar é confiar; O impossível, possível; e a Equipe de saúde como sujeito do cuidado. III. Cuidar é possibilitar ser: Cuidar é dar apoio e segurança; Os pais como sujeito do cuidado; Cuidar é individualizar o cuidado; Cuidar é preocupar-se; Cuidar é educar; A necessidade de apoio frente a possibilidade de ser; e A insegurança frente a mudança no tratamento do filho. A análise compreensiva aponta para possibilidades de uma prática de enfermagem e da equipe de saúde que resgate o ser-pai e o ser-mãe de um recém-nascido hospitalizado, assim como para o repensar e o refazer os currículos de formação dos profissionais de saúde para que vivenciem, desde o início desta formação, o cuidar autêntico. O cuidar permeou toda a estrutura do fenômeno, e este se apresentou em suas diversas formas: Cuidar autêntico/inautêntico; Compartilhado/ autoritário; Individualizado/generalizado; que gera confiança/insegurança; que significa apoio/abandono, etc. O ideal é que possamos refletir o cuidar e proporcionar aos pais um cuidar autêntico, compartilhado, individualizado, que gere confiança e que signifique apoio.
Correspondência para: Maria Aparecida Mendes de Almeida Veloso, e-mail: aparecidaveloso@terra.com.br
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