Goiânia, 07 de novembro de 2005.

MÃES PRESIDIÁRIAS E SUAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

Francisca Sônia de Andrade Braga Farias

Maria Nagela Cavalcante Bandeira

Roberta Stéphanie Souza Bandeira

Estudar as representações de mães presidiárias, para obtermos dados concretos dos problemas e das dificuldades por que passam essas mulheres e identificar as representações sociais de mães presidiárias é o objetivo do estudo, que foi desenvolvido numa abordagem qualitativa, apoiando-se na Teoria da Representação Social. Os aspectos éticos e legais foram rigorosamente considerados, como a própria abordagem do estudo requer, visto que, os sujeitos da pesquisa fazem parte de grupo vulnerável. Para a coleta dos dados, utilizamos entrevista aplicada no período de julho a dezembro de l998 no Instituto Penal Feminino do Estado do Ceará. Na construção das representações sociais, participaram da pesquisa 15 mães que haviam cometido diferentes delitos com no mínimo 2 anos de pena a ser cumprida. As mães presidiárias são em sua grande maioria solteiras, na faixa etária entre 22 a 25 anos e enfrentam graves problemas familiares, sendo muitas vezes forçadas ao crime pelos próprios companheiros. A liberdade está intimamente ligada à esperança e a religião e sua maior preocupação é conseguir a liberdade para cuidar dos filhos. Condenações por crimes leves podem ser trocadas por trabalhos comunitários remunerados, de modo a atingir 4 objetivos: evitar a quebra do vínculo mãe/filhos, fornecer às famílias recursos necessários para sua manutenção durante a pena da mãe - visto que, a grande maioria tem o companheiro ausente -, aumentar a probabilidade de uma readaptação da mulher infratora à sociedade e reduzir o nível de reincidência. O destino dessas mulheres só pode ser pensado se levarmos em conta a sociedade em que vivemos. Enquanto os governantes não tiverem uma preocupação legítima com o destino do povo daquela camada mais desprotegida, o drama irá se repetir, estimulando-se e reproduzindo-se, assim, a cultura da violência.

Correspondência para: Maria Nagela Cavalcante Bandeira, e-mail: bel_ag@hotmail.com