Goiânia, 07 de novembro de 2005.

DESEJO E PLANEJAMENTO DA GRAVIDEZ EM MULHERES DE UM SERVIÇO PRÉ-NATAL

Juliana Cavalcanti Carlos

Gislaine Eiko Kuahara Camiá

INTRODUÇÃO: A gravidez é um momento de transformação na vida de toda mulher, pois exige adaptações em sua própria identidade e em suas relações com o mundo. Neste contexto, uma gravidez desejada faz com que a gestante elabore um planejamento dessa nova situação, procurando adaptar-se, buscando diversas formas para que se desenvolva de maneira saudável, realizando as consultas de pré-natal, recebendo informações sobre a gravidez e prevendo um novo futuro. Por outro lado, quando a gravidez não é desejada, torna-se um fator de risco para a mãe e o concepto, podendo repercutir na sociedade em que se encontra. Acreditando na importância do papel educativo do enfermeiro, principalmente para fornecer informações adequadas sobre o planejamento familiar e a utilização de métodos contraceptivos, optou-se por realizar este trabalho. OBJETIVOS: Verificar o conhecimento das gestantes sobre os métodos contraceptivos; identificar alguns aspectos relacionados ao desejo e ao planejamento da gravidez atual dessas mulheres; adquirir subsídios para a elaboração de programas educativos em planejamento familiar. METODOLOGIA: Pesquisa descritiva, exploratória, realizada com 100 gestantes que freqüentam o serviço de pré-natal do Ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa de São Paulo, independente da idade e tempo de gestação. A coleta de dados foi realizada no período de agosto a novembro de 2004, após a aprovação do Comitê de Ética da Faculdade e do consentimento livre e esclarecido das gestantes participantes do estudo. RESULTADOS: A maioria das gestantes entrevistadas (98,0%), conhecia algum método contraceptivo. O preservativo foi citado em primeiro lugar (96,0%), seguido da pílula (90,0%), injeção contraceptiva (60,0%) e métodos definitivos (56%). Quanto ao uso, 63,0% das gestantes referiram uso anterior de algum método contraceptivo, sendo o mais utilizado, a pílula com 33,0%. Na amostra pesquisada, 63,0% não planejaram a gravidez atual, embora ao analisar o desejo da gravidez, encontrou-se que 88,0% a aceitaram. CONCLUSÃO: As mulheres conheciam os métodos contraceptivos, mas mesmo assim não planejaram a gravidez, embora a maioria tenha aceitado esta condição depois que souberam do resultado, talvez, pelo fato de terem companheiros sentindo-se mais amparadas. Assim, torna-se imprescindível a atuação do enfermeiro em grupos educativos na área de planejamento familiar, no intuito de promover mudanças de comportamento, evitando gravidezes indesejadas.

Correspondência para: Gislaine Eiko Kuahara Camiá, e-mail: gislainecamia@uol.com.br