Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ACIDENTES DE TRABALHO EM ENFERMAGEM: PROFISSÃO DE RISCO

Maria Odete Pereira Hidalgo de Araújo

Celina de Souza Silva

Giovana Kelly Rizatto Dias

Maria Filomena Ceolim

NISHIMURA declara que o contingente de trabalhadores de enfermagem permanece 24 horas junto ao paciente executando cuidados, expondo-se a riscos, adquirindo lesões em decorrência dos acidentes de trabalho. Os objetivos do presente estudo são: relacionar o acidente de trabalho ao procedimento executado; identificar condutas adotadas pelo trabalhador e CIPA frente ao acidente ocupacional e identificar se a CIPA realiza abordagens preventivas. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo CEP-Unitau, sob o protocolo nº165/05. O estudo descritivo e exploratório investigou os riscos de acidentes que envolvem os trabalhadores de enfermagem em uma Instituição Hospitalar de um Município do Médio Vale Paulista. Dentre 130 questionários entregues aos membros da equipe de enfermagem e da CIPA, apenas 14 funcionários da equipe de enfermagem responderam. Os participantes tinham entre 20 a 50 anos e 98% eram mulheres. Quanto à escolaridade 78. 5% cursaram o ensino médio completo. Declararam residir no Município 98%. Quanto ao exercício profissional, 42. 8% alegaram ter de 10 a 20 de trabalho na área. Os acidentes pérfuro-cortantes foram citados por 35. 7% e quanto a freqüência 64. 2% alegaram não terem sofrido nenhum tipo de acidente. As áreas do corpo mais afetadas foram as mãos, em 35. 7% dos casos. Na ocorrência de acidentes, 71. 4% alegou comunicar a supervisão. Como condutas adotadas frente ao acidente, foram citadas consulta médica e lavagem em 7. 1% dos relatos. As orientações dadas pela CIPA foram que ao acidentar-se o funcionário deve comunicar a supervisão, em 50% dos casos. Quanto aos esclarecimentos acerca das normas de segurança, 50% responderam positivamente e ao fornecimento de Equipamentos de proteção individual (EPI)85,7% respondeu sim, para todos procedimentos. Quanto a abordagens realizadas pela CIPA na instituição, 57. 1% respondeu que não são realizadas. Dentre os funcionários que alegaram ter se acidentado, apenas 7. 14% referiu ter recebido apoio psicológico. Conclusão: Concluiu-se que na instituição, a prevalência de acidentes é elevada, principalmente perfuro-cortantes, embora apenas 10,7% dos funcionários tenham respondido o questionário. Os funcionários demonstraram desinteresse em participar do estudo, embora as pesquisadoras tenham ressaltado a sua relevância. Nenhum membro da CIPA participou, o que faz supor que os trabalhos da CIPA naquela Instituição, não sejam devidamente valorizados por seus membros.

Correspondência para: Maria Odete Pereira Hidalgo de Araújo, e-mail:

m.odetepereira@gmail.com