A MATERNIDADE PARA GESTANTES SOROPOSITIVAS PARA O HIV
Maria Eliane Liégio Matão
Maria Imaculada de Fátima Freitas
Pedro Humberto Faria Campos
Fernanda Guilarducci Pereira
Estudos anteriores sobre representação social de gravidez, indicam a existência de representação positivamente idealizada, fundada nas noções de felicidade, dom de Deus e prazer em procriar. No entanto, há casos em que a sua ocorrência leva a representações contrárias em razão de riscos de comprometimento à saúde da mulher ou do bebê. Com a feminização dos casos de HIV/Aids, mulheres infectadas pelo vírus estão engravidando, contrariando o que se pensa na sociedade. No presente estudo buscou-se compreender as representações sociais sobre a maternidade para mulheres grávidas com diagnóstico confirmado de soropositividade. O estudo é qualitativo, apoiado na Teoria das Representações Sociais. A Análise Estrutural de Discurso permitiu desvelar o processo argumentativo apresentado por essas mulheres em suas narrativas. A representação da maternidade para o grupo sempre esteve vinculada aos aspectos positivos, inclusive após a sua ocorrência nesse momento de suas vidas. O diagnóstico da gravidez após a infecção pelo HIV, inicialmente, leva as mulheres a intenso sofrimento psíquico, o que vai sendo atenuado com o evolver da gestação. Para minimizar o preconceito e as sanções sociais, a gravidez é atribuída a uma “força dominante” exterior ao desejo da mulher, capaz de justificar o não exercício de sua autonomia. Assim, o enfrentamento social se dá pela ‘terceirização' da ocorrência da gravidez. O período gestacional é marcado por sentimentos ambivalentes de felicidade e medo por configurar-se, respectivamente, na alegria ímpar da maternidade e na possibilidade da transmissão vertical. Pode-se dizer que a significação da gestação e da maternidade para estas mulheres gira em torno de elementos referentes ao desejo, ao direito e as representações sociais sobre a gravidez.
Correspondência para: Maria Eliane Liégio Matão, e-mail: liegio@ih.com.br
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