Goiânia, 07 de novembro de 2005.

TRANSEXUALIDADE: UMA CATEGORIA A SER PENSADA

Roberta Leão Mesquita

Marielle Nogueira Alves Teles

Maria Eliane Liégio Matão

Pedro Humberto Faria Campos

Ana Maria de Oliveria

Thyago do Vale Rosa

A existência de inadequação entre o sexo biológico e o psicossocial resulta em alterações no comportamento sexual, manifestado sob várias formas. Um exemplo é a transexualidade, termo é utilizado para designar pessoa que se identifica como pertencente ao sexo oposto, além de se sentir e comportar como tal. Relaciona-se com identidade de gênero, pois apesar da perfeita consciência da genitália, não consegue aceitar a estrutura biológica que tem. Interpretada como loucura, aberração ou homossexualidade, no Século XX, passou a ser diagnosticada como paranóia metamorfo-sexual, substituído por Desordem da Identidade de Gênero, dentre outros termos que expressam essa discordância. Tem sido associada à doença psiquiátrica, pois há sofrimento psíquico por acreditar em erro na determinação do sexo anatômico. Esses indivíduos buscam tratamento cirúrgico para corrigir tal erro, sendo no Brasil, autorizada a título experimental, em hospitais públicos e universitários. O diagnóstico é realizado por equipe multiprofissional ao longo de dois anos, no mínimo. Pesquisas recentes vêm aproximando os chamados estudos de gênero e de representação social, uma vez que a identidade social se forma e se mantém tendo por base a rede de representações sociais. Um campo no qual esta aproximação é necessária é o da transexualidade. Fatores como o progresso técnico-científico, enfraquecimento das pressões religiosas, globalização, estabelecimento do Estado Democrático de Direito e HIV/Aids, têm contribuído para a redução do preconceito e discriminação das pessoas com condutas tidas, tradicionalmente, como moralmente discutíveis. Frente a possíveis modificações na percepção social desse grupo busca-se conhecer as representações sociais de acadêmicos do último ano dos cursos de enfermagem e medicina sobre transexualidade. A opção teórico-metodológica é a Teoria das Representações Sociais, sendo o questionário contendo perguntas de evocação ao termo, analisado pelo programa EVOC. Dos sujeitos participantes de ambos os cursos, a maioria dos grupos é composta por mulheres jovens, solteiras, sem filhos e de classe social média. Aparecem no núcleo central, entre os acadêmicos de enfermagem, os signos mudança-sexo, gay-homossexual, travesti, desequilíbrio e opção; para os de medicina são gay-homossexual, mudança-sexo, travesti, preconceito, conflito-sexual e opção. No sistema periférico estão presentes preconceito, anormal, conflito-sexual, safadeza, vergonha, cirurgia, bissexual e, apoio.


Correspondência para: Maria Eliane Liégio Matão, e-mail: liegio@ih.com.br