Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CARACTERIZAÇÃO DOS FATORES DE RISCO DA HIPERTENSÃO

Danize Gasparotto Castilho

Flávia Regina Fracaroli

Francine Dogani Micheli

Durante a Interação Comunitária, os estudantes de Medicina e Enfermagem da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA) puderam realizar visitas domiliciliares no ano de 2003, numa micro-área da Unidade Básica de Saúde (UBS) onde identificaram a hipertensão arterial (HA) como um dos problemas de saúde mais prevalentes. Sabe-se que as doenças cardiovasculares configuram como a maior causa de morbimortalidade do país, e sendo a estimativa de prevalência pela IV Diretrizes Brasileira de Hipertensão Arterial de 2002 em torno de 20% entre os adultos (embora os estudos no Brasil sejam escassos e não sistematizados), os estudantes optaram pela H. A como tema de estudo, o qual teve como objetivo caracterizar os pacientes hipertensos, identificando os fatores de risco modificáveis (ingestão de sal, ingestão de bebida alcoólica, obesidade, medicamentos, tabagismo, estresse, sedentarismo, Diabetes Melitus, doença coronariana pré-existente) e não modificáveis (idade, sexo, raça, hereditariedade). Ainda no ano de 2003 foi elaborado o projeto de pesquisa, aprovado pelo Comitê de Ética, no qual conteve um formulário com base no modelo conceitual de “Campo de Saúde” utilizando-se as definições propostas por Lalonde (1974 apud SIQUEIRA 2002). As entrevistas foram realizadas no ano de 2004, os dados foram digitados no programa EPI INFO Vs 6. 04b (United States, 1994) e sua análise seguiu as normas preconizadas para um estudo descritivo, por meio de tabulação simples e frequencial. A população do estudo foi composta por 67 indivíduos com diagnóstico prévio e integrantes do programa de controle de hipertensão, destes 10,4% foram excluídos da pesquisa, por motivos de mudança de endereço ou recusa em participar. Diante dos resultados encontrados, conclui-se que a HA associada aos fatores de risco encontrados neste grupo, como obesidade, história familiar presente, sedentarismo, hábito alimentar inadequado, estresse e tabagismo aumentam de forma significativa as chances do desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Por outro lado, embora a HA seja mais prevalente na raça negra, devido à baixa incidência da microárea estudada, este dado ficou divergente da literatura. Outro dado que contradiz a literatura, é o peso dos homens, pois esses possuem IMC dentro da faixa de normalidade, e a maioria dos homens hipertensos de acordo com outros trabalhos, estão acima do peso.

Correspondência para: Danize Gasparotto Castilho, e-mail: danize@famema.br