O PROFAE EM GOIÁS SOB A ÓTICA DOS ATORES SOCIAIS
Ludtmilla de Macedo da Silva
Zeila Rodrigues de Almeida Gomes
Maria Eliane Liégio Matão
Débora Vieira de Abreu
Vanusa Claudete Anastácio
Elioenai Dornelles Alves
O PROFAE, primeira política pública do país voltada à formação de recursos humanos na área da saúde, foi a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde para a formação e qualificação dos trabalhadores da área de enfermagem, com vistas à melhoria e humanização do atendimento nesse âmbito, em atenção aos preceitos do Sistema Único de Saúde. Em Goiás, a demanda cadastrada para capacitação, seja como auxiliar ou técnico em enfermagem, ao término da execução, prevista para julho de 2005, atenderá a um total de 5. 873 alunos qualificados na área de enfermagem. Conhecer a representação do PROFAE sob a ótica dos atores envolvidos em seu processo de implantação, implementação e execução em Goiás. O estudo tem caráter descritivo com abordagem qualitativa, tendo como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais. A coleta foi realizada por meio da aplicação de questionário contendo perguntas abertas e fechadas. A análise dos dados foi realizada em duas etapas distintas, sendo a questão de evocação realizada pelo Programa ECVOC 2003 e as demais, por meio da verificação do aparecimento dos registros. O instrumento foi aplicado em 16 municípios de Goiás onde existem ou já existiram turmas do PROFAE, junto a 300 sujeitos representantes das Operadoras existentes no Estado. Os mesmos foram subdivididos em dois grupos, um de discentes e outro de docentes. A pesquisa revelou que o PROFAE tem, em sua maioria, participação de alunos que não exerciam previamente atividades de enfermagem. É evidente a aprovação do projeto pelos sujeitos, sendo esta maior entre os discentes. Quanto aos elementos da representação, estes se relacionam ao objetivo principal do PROFAE, qual seja a formação de trabalhados na área de enfermagem e ao reconhecimento do investimento feito pelo Governo Federal no sentido do integral subsidio financeiro. Aparecem, também, signos que explicitam sentimentos ligados à realização pessoal, reconhecimento profissional e expectativas de valorização e ascensão social. Quanto à percepção do nível de responsabilidade pessoal na execução do PROFAE, a maioria, tanto de docentes como discentes, sente-se absolutamente responsável. Há homogeneidade na compreensão dos interlocutores, sendo essa relacionada a aspectos positivos em relação ao PROFAE. A existência de discentes não ligados à categoria de enfermagem revela, inicialmente, não obediência aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde. Prospectivamente, poderá repercutir no cotidiano da assistência.
Correspondência para: Maria Eliane Liégio Matão, e-mail: liegio@ih.com.br |