O TRABALHO NOTURNO E SUA IMPLICAÇÕES PARA A EQUIPE DE ENFERMAGEM
Marcia Jabor Garcia
Antonio Jose Cupelo
A enfermagem presta assistência consecutiva durante 24 horas. Elegi como objeto de estudo a percepção dos trabalhadores de enfermagem, que atuam no horário noturno, sobre a fadiga. A manutenção da desarmonia com o ritmo biológico pode resultar em desajuste no ritmo pessoal orgânico. Penso que prestar cuidados a outras pessoas, quando estamos desorganizados com nosso próprio corpo não gera, normalmente qualidade e sim mecanização da assistência. Objetivos caracterizar o perfil dos trabalhadores, identificar os fatores ergonômicos que produzem fadiga e levantar as implicações do trabalho noturno. Estudo quantitativo descritivo realizado em um Hospital Estadual do RJ. Utilizou-se um questionário a 55 enfermeiros e aux. de enfermagem que atuam há mais de três anos no serviço noturno em clinicas cirúrgicas. Os dados quantitativos foram organizados por grupos de variáveis (características pessoais, condições de vida, de trabalho, de saúde, esforço físico e o fator fadiga). Os resultados revelam que 80% são do sexo feminino, com predominância entre 40/42 anos e tempo médio de trabalho de 11/20 anos; 63,4% possuem outros vínculos empregatícios, trabalhando em média de 48/60 horas semanais. Os fatores ergonômicos que mais produzem fadiga foram à faixa etária e o gênero. Os entrevistados afirmam que, durante a pausa de descanso, 70% cuidam do lar e da família 30% dormem. Para eles, o trabalho é prazer, representa status social e reflete necessidade financeira. 92,7% percebem as implicações do trabalho noturno, relatam fadiga física e mental, dificuldade de concentração e de conciliar o sono. Maior déficit físico e mental entre as 3 e 7 h, prejudicando a qualidade da assistência. Após o trabalho, 67% sentem fadiga, que se expressa através do estresse, 50,4% continuam sentir sono e irritabilidade. Alterações psicofísicas: referem cansaço, humor lábil, insônia, sono intranqüilo e perda de memória. Na saúde, referem problemas circulatórios (varizes), obesidade, déficit visual, problemas gastrintestinal e osteomusculares. Concluiu-se que os horários de trabalho noturno não usual submetem o indivíduo a restrições fisiológicas, sociais e psicológicas as quais são claramente prejudiciais. Após vivenciar e estudar os resultados dessa pesquisa considero um grave problema social a desatenção que se tem com os problemas de sa
Correspondência para: Marcia Jabor Garcia, e-mail: marciajabor@ig.com.br |