EQUIPE MULTIDISCIPLINAR NA TERAPIA TÓPICA DE ÚLCERA ARTERIAL
Cristiana Machado Borges
Marceila de Andrade
Vivian Teixeira da Fonseca
Giselle Vaz Costa
Lílian Varanda Pereira
O projeto Atenção Integral à Família e ao Portador de Úlceras Agudas e Crônicas vem sendo desenvolvido com foco no ensino, tratamento e prevenção de lesões cutâneas, e conta atualmente com 10 bolsistas remunerados com subsídios do PROEXT/MS. As úlceras arteriais geralmente são profundas, envolvendo músculos e tendões. Aparecem com maior frequência no terço distal da perna e menos frequentemente nas proeminências ósseas. O objetivo desse estudo foi relatar a experiência vivida por educandos e educadores do curso de enfermagem da UFTM no tratamento de cliente com úlcera arterial. Caso: ACS, 59 anos, masculino, negro, casado, comerciante, natural de Ibiá (MG), tabagista, com problemas circulatórios, foi avaliado no dia 21/03/05, observando-se ulceração de 20cmx10cm em MID, com área necrótica ressecada, recobrindo praticamente toda a lesão (80%), exsudato espesso, brancacento em pequena quantidade e pequenas lesões em região maleolar e região plantar do hálux. A terapia tópica incluiu limpeza com SF 0,9%; primeira cobertura com alginato de cálcio e carboximetilcelulose (SAF-GEL) e a segunda com gazes umedecidas com soro fisiológico 0,9% e debridamento mecânico e cirúrgico sem anestesia, que levaram à completa redução do tecido necrótico, fibrina e exsudato e proliferação de tecidos de granulação e de epitelização. Houve cicatrização completa da lesão em região maleolar e região plantar do hálux. Cliente referiu redução da dor e recebeu alta hospitalar em 05/04/05. Considerações: a terapia tópica da lesão de ACS teve méritos indiscutíveis, apontando a importância do trabalho multidisciplinar. A prescrição médica foi complementada pela de enfermagem no momento ideal e as orientações evitaram que expectativas não satisfeitas prejudicassem a adesão ao tratamento prolongado. A família foi treinada e passou a realizar os curativos, supervisionada pelos acadêmicos e professores. Tal fato reduziu os custos, o tempo e o gasto de energia, fundamentais ao acadêmico que desenvolve atividades extensionistas. Sucessivas avaliações médicas evitaram novas internações, que poderiam acarretar prejuízos ao membro afetado. Acadêmicos e professores partilharam conhecimentos. Este trabalho certamente servirá como subsídio para (re)orientar a prática da enfermagem no tratamento de lesões cutâneas em nossa realidade, buscando o trabalho interdisciplinar e a integração entre os níveis primário, secundário e terciário de atenção à saúde.
Correspondência para: Cristiana Machado Borges, e-mail: crismborg@yahoo.com.br |