Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ABORDAGEM COOPERATIVA: ESTRATÉGIA PARA PREVENÇÃO DO HIV ENTRE MULHERES

Jacqueline Rodrigues de Lima

Vanessa Silva Carvalho Vila

Antônia Maria Ferreira Reis

Denise Gastaldo

O aumento do número de mulheres contaminadas pelo HIV em todo o mundo vem colocando em evidência a importância do desenvolvimento de novas abordagens de pesquisa que valorizem o potencial comunitário na produção de conhecimento e de ações coletivas na prevenção desta pandemia. Um estudo qualitativo participativo cooperativo foi realizado em uma região desfavorecida de Goiânia, entre mulheres que tinham um parceiro sexual estável, para explorar como o discurso preventivo privado e comunitário em relação ao HIV seria reconstruído pelas mesmas num processo coletivo de reflexão/ação. O objetivo deste trabalho é descrever a trajetória metodológica construída a partir do referencial cooperativo participativo. A investigação cooperativa é um tipo de pesquisa-ação, onde pesquisadores e pesquisados contribuem desde a formulação de hipóteses até as conclusões sobre determinado tópico e os sujeitos do estudo (co-pesquisadores) atuam ativamente na construção do conhecimento através do ciclo reflexão/ação. Três mulheres, indicadas por líderes locais, foram selecionadas para participar diretamente da equipe de pesquisa e outras quatro, receberam formação para realizar atividades de recreação com os filhos das participantes. Um total de dez grupos, contendo em média dez mulheres, foi organizado e cada grupo reuniu cinco vezes. Os dados foram coletados através de grupos focais pela técnica do recito-diálogo. Os encontros tinham duas etapas distintas: o recito, quando cada mulher descrevia as atividades de coleta de dados (entrevistas, avaliação dos serviços, negociação/utilização de preservativos) e o grupo focal, quando as co-pesquisadoras participavam de um diálogo crítico sobre o recito e tópicos propostos, iniciando um novo ciclo de reflexão/ação. O processo participativo adotado foi fundamental para a reconstrução do discurso preventivo e permitiu o envolvimento das co-pesquisadoras com o estudo, além da instalação de um processo cooperativo/coletivo de produção do conhecimento sobre o discurso/prática acerca da prevenção do HIV. Estas mulheres foram reconhecidas na vizinhança como referência em relação ao HIV e organizaram uma marcha na comunidade no dia de luta contra a Aids. Este estudo confirma a importância da parceria com a comunidade na identificação/resolução de problemas coletivos de saúde e reforça a necessidade de embasamento teórico/metodológico na construção de intervenções/estudos participativos. Projeto financiado pela UNESCO e CNDST-Aids/MS (687/01)

Correspondência para: Jacqueline Rodrigues de Lima, e-mail: jlima_fen@yahoo.com.br