Goiânia, 07 de novembro de 2005.

AS COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DA ENFERMAGEM NA SAÚDE MENTAL

Euclea Gomes Vale

Violante Augusta Batista Braga

Maria Grasiela Teixeira Barroso

É evidente a necessidade de se repensar uma proposta para o ensino de graduação em enfermagem que envolva desafios como o domínio do conhecimento, a aquisição de competências, habilidades e atitudes para atuar com qualidade e estar constantemente buscando se atualizar, uma vez que o conhecimento vem avançando de forma acelerada. O estudo teve como objetivo discutir os vários conceitos de competência nas áreas de educação e enfermagem; correlacionar esses conceitos com a prática do cotidiano dos enfermeiros da área de saúde mental e apresentar as competências necessárias ao processo de cuidar em enfermagem em saúde mental. Para tanto identificou-se a bibliografia referente à saúde mental, competências na área de educação e enfermagem, efetuou-se leitura e análise do material seguida de síntese descritiva, identificou-se as competências do enfermeiro da área de saúde mental, efetuou-se análise crítica dos conceitos identificados e construiu-se as competências consideradas necessárias para a prática de saúde mental. Como resultados encontrou-se as seguintes competências do enfermeiro de saúde mental: comunicativa, pessoais, cuidado e sócio-políticas. Estas competências sugerem a capacidade de: um novo olhar: o indivíduo portador de transtornos mentais. Um novo objeto: a saúde mental. Novos objetivos: resgatar a cidadania, individualizar o cuidado, ver o sujeito como centro. Um novo agente profissional: a equipe multiprofissional. Novos espaços de tratamento: NAPS, CAPS, COMUNIDADE. Novas perspectivas: reabilitação psicossocial, reinserção social, constituição do sujeito social. Uma nova concepção de personalidade: a unidade biopisicossocial. Um novo enfermeiro: crítico, reflexivo, dinâmico, inovador e competente para construir um cuidar centrado na intervenção terapêutica. Concluiu-se que o enfermeiro para trabalhar no atendimento de portadores de transtornos mentais deve ser competente o suficiente para: compreender que os caminhos são construídos por cada sujeito a partir de suas necessidades biopisicossociais; cuidar respeitando os princípios da cidadania e dos direitos humanos; contribuir na construção de planos terapêuticos individuais, construídos em equipe transdisciplinar; oferecer cuidados embasados na ciência da enfermagem que tenham o sujeito como centro da atenção; desconstruir e construir a prática da enfermagem, fazendo convergir ciência, ética, arte e estética.

Correspondência para: Euclea Gomes Vale, e-mail: euclea@terra.com.br