QUESTIONAMENTOS FEMININOS EM HIV/AIDS
Sandra Tavares de Melo
Tamara Barbosa da Silva
Maria Eliane Liégio Matão
Lorena de Almeida Ribeiro Prudente
Valdir Geraldo de Paula Albernaz
A educação em saúde tem se mostrado uma estratégia na prevenção do agravo, sendo o aconselhamento um momento privilegiado para essa prática. Deve haver o estabelecimento de uma relação de confiança entre os profissionais e os sujeitos da assistência. É nesse momento que o profissional fará troca mútua de informações, havendo necessidade de compartilhamento, estabelecendo, uma relação de confiança, a qual permitirá obter reposta para as suas indagações perante situações de exposições ao HIV e orientando quanto à restrição de tais situações, adotando medidas de prevenção. Como as questões relacionadas ao HIV/AIDS estão envolvidas no contexto social das pessoas em geral, principalmente das mulheres pela feminilização da epidemia, torna-se relevante antecipar as principais dúvidas da população de mulheres em idade reprodutiva previamente a realização do aconselhamento pré-teste para HIV. Tem como objetivo identificar, previamente ao aconselhamento, as dúvidas entre mulheres em idade reprodutiva que buscaram espontaneamente sua testagem para HIV. O estudo é qualitativo, descritivo, foi realizado em unidade pública de referência para a população materno-infantil. Participaram 82 mulheres casadas há mais de 10 anos, com filhos, tendo a primeira gestação ocorrido antes dos 18 anos, com apenas um parceiro ao longo da vida. Quanto à percepção de fatores de risco em relação ao parceiro, o uso de drogas injetáveis, tatuagens e a multiplicidade de parceiras dos mesmos aparecem como recorrentes. Quanto à percepção da existência de comportamentos de risco adotados por elas, a imensa maioria recusou-se a responder. Para as respondentes, o não uso de preservativo é o fator de risco mais citado. Sobre a existência de dúvidas relacionadas ao HIV/AIDS que gostariam que fossem respondidas durante o aconselhamento aguardado, aparecem o não conhecimento da diferença entre HIV e Aids, os benefícios pelo uso do tratamento com antiretrovirais e os modos de transmissão do HIV. Há inúmeras carências sobre a temática para um posicionamento correto na sua vida pessoal. Para a população em geral, particularmente para as mulheres em idade reprodutiva, torna-se necessário oferecendo-lhes acesso à educação em saúde como meio de minimizar sua vulnerabilidade. Nesse sentido, é importante dar relevo às questões de gênero e empoderamento feminino, a fim de oferecer subsídios as mesmas, de modo a garantir condições de viver, plena e conscientemente, seus direitos sexuais e reprodutivos.
Correspondência para: Maria Eliane Liégio Matão, e-mail: liegio@ih.com.br |