Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CLIENTE DE CAPD: CUIDADO DE ENFERMAGEM REALIZADO E INSTITUÍDO

Doris de Oliveira Araujo Cruz

Sílvia Teresa Carvalho de Araújo

Uma convivência diária com clientes renais em CAPD fez-me aproximar de sua realidade por vezes verbalizadas, outras não, sobre a dificuldade em aceitar o catéter de diálise peritoneal implantado em seus corpos. Durante o cuidado observei clientes que negligenciavam a higiene pessoal, o auto-cuidado ou a técnica do tratamento domiciliar. Retornavam apresentando infecção do óstio de saída (OSC), infecção do túnel ou peritonite. Para alguns clientes era difícil conviver com um “tubinho plástico” como parte integrante de si, cuja finalidade era a manutenção de suas vidas. Como objetivos ressalto algumas percepções e comportamentos observados nos clientes destacando a convivência com o catéter para subsidiar a reflexão sobre o cuidado do enfermeiro. A metodologia baseou-se no processo de enfermagem com as seguintes etapas: anamnese, exame físico, plano diário e assistencial, e avaliação dos resultados das orientações prestadas. Os dados emergiram entre 2001 e 2004, no Serviço de Nefrologia de um Hospital Universitário do Rio de Janeiro e referem-se a 22 clientes ao ano. Resultados: deparei-me com pessoas que apresentavam-se temerosas e inseguras, outras referiam dificuldades financeiras para arcar com as despesas. Alguns clientes dependiam de familiares para ações simples do cotidiano como locomoção, vestuário, dieta ou mesmo para a realização da técnica exigida pela terapia. Exemplifico uma jovem com dificuldade de cicatrização do OSC seguida de infecção que apresentou complicações como a insuficiência dialítica, pois fazia uso incorreto das medicações, não realizava o número prescrito de trocas da diálise e repuxava o catéter pela fixação inadequada, usava roupas justas e de cintura baixa. Como estratégia de cuidado experimental, passei a recomendar, após o banho corporal, a exposição do abdome por 30 minutos ao sol matinal. Esse cuidado foi repetido diariamente cujo resultado em média de 7 a 10 dias acelerava o processo local de cicatrização. Conclusões: superadas as dificuldades da fase inicial, a conscientização do cliente conduz ao bom desempenho no tratamento domiciliar, com melhora da motivação, da auto-estima, do nível de auto-cuidado, estimulado pelo cuidado instituído pelo enfermeiro. Acredito que ao tomar o banho de sol, nesse momento de exposição e claridade, o calor local redimensiona a forma de se perceber sensorialmente através dos efeitos gerados nessa experiência.

Correspondência para: Doris de Oliveira Araujo Cruz, e-mail:

doriscruz.araujo@bol.com.br