DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM: PERCEPÇÃO DOS DISCENTES
Ryany Souza Mateus de Oliveira
Suely Lopes de Azevedo
Marcos Antônio Brandão
Beatriz Fernandes Dias
Carla Renata da Silva
Com o intuito de desenvolver a linguagem diagnóstica várias escolas de enfermagem vêm introduzindo a temática diagnóstico de enfermagem (DE) em suas grades curriculares. No entanto, devido à falta de uso dessa linguagem na prática profissional ela é ainda obscura para muitos enfermeiros, docentes e discentes. O presente estudo tem como finalidade avaliar a percepção dos discentes a respeito do diagnóstico de enfermagem e analisar a implementação do ensino do DE. Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa, tendo como sujeitos, 22 alunos do 4º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal Fluminense. A coleta de dados foi realizada durante o 1º semestre de 2005, através de um questionário semi-estruturado. Para análise dos dados utilizou-se análise de conteúdo segundo Bardin (1977). Após a análise dos dados obtidos, os discentes identificaram 138 Unidades de Pensamento a 04 questionamentos a respeito do DE. Dentre estas Unidades foram geradas 21 categorias de análises e as que obtiveram maiores unidades de pensamentos em relação ao conceito de DE foram: facilitador da assistência de enfermagem (86%), padronização da assistência de enfermagem (32%) e qualificador do cuidado (22,5%). A respeito da compreensão sobre o diagnóstico de enfermagem os sujeitos apresentaram como pontos positivos as categorias: metodologia aplicada (36%) e clareza na exposição do tema (23%); e, como pontos negativos, as categorias: aulas (72%) e conteúdo (40,5%). A grande maioria dos sujeitos, 95 % dos discentes, afirmaram reconhecer a importância da linguagem diagnóstica para a vida profissional. Questionados quanto ao uso do DE no ensino teórico-prático, 63,5% dos discentes não puderam aplicar, devido à falta de oportunidade e os que utilizaram, o fizeram no campo prático e na prescrição dos cuidados. Este estudo permitiu concluir que as ações desenvolvidas para o ensino permitiram que todas os alunos percebessem a importância do DE na prática profissional, porém, poucos implementaram na prática assistencial, alegando como motivos: a complexidade do assunto, o reduzido número de aulas e a pouca divulgação do assunto por todos professores. Assim, recomendamos que sejam aplicadas novas estratégias de ensino, bem como se experimente a aplicação do diagnóstico na prática assistencial com vistas a atingir uma convergência à teoria e a prática no que concerne ao uso do diagnóstico de enfermagem.
Correspondência para: Ryany Souza Mateus de Oliveira, e-mail: ryanymateus@ig.com.br
|