USO DE MEDICAMENTOS POR IDOSOS INDEPENDENTES INSTITUCIONALIZADOS
Maria Odete Pereira Hidalgo de Araújo
Maria Filomena Ceolim
A polifarmácia (uso de medicamentos variados simultaneamente) é comum entre os idosos, sejam as drogas prescritas pelo médico ou compradas diretamente no balcão das farmácias (automedicação). O elevado número de fármacos ingeridos aumenta o risco de efeitos colaterais e de interações medicamentosas. Este estudo é parte de dissertação de Mestrado no qual foram avaliadas as ações de autocuidado realizadas por idosos residentes nas instituições asilares de longa permanência de uma cidade do interior do estado de São Paulo. Neste trabalho, relatam-se os resultados referentes a: número de medicamentos ingeridos pelos idosos; dificuldades para a administração dos fármacos; mecanismos referidos pelos idosos para não esquecer de tomar a medicação; efeitos colaterais atribuídos pelos idosos aos medicamentos ingeridos; prática de automedicação. Participaram do estudo 36 mulheres e 4 homens com 60 anos ou mais, independentes para o desempenho de atividades de vida diária. Observaram-se os procedimentos éticos em pesquisa com seres humanos segundo a Portaria 196/96 - Ministério da Saúde. Verificou-se que os sujeitos, em conjunto, usavam 29 tipos diferentes de fármacos. A média por sujeito era de 3,5 medicamentos, o que corresponde ao observado em outros estudos. Seis idosos não usavam nenhum tipo de droga e um idoso ingeria oito drogas diferentes. A equipe de enfermagem ministrava os medicamentos a 17 idosos, e outros 17 eram responsáveis pela própria medicação. A maioria dos sujeitos referia lembrar-se de ingerir os medicamentos embora não adotasse métodos para não esquecer de fazê-lo. Dois idosos praticavam automedicação, com uso de analgésicos e antibiótico. Apenas dois idosos atribuíram efeitos colaterais aos medicamentos ingeridos, referindo mal-estar gástrico e “queimação”. Conclui-se que a polifarmácia e está presente nos sujeitos estudados, bem como a automedicação, em menor freqüência. Identifica-se na prática de automedicação o desconhecimento e a ingenuidade do idoso, bem como a dificuldade de acesso ao atendimento de saúde, que o leva buscar soluções à sua maneira, colocando em risco a própria saúde.
Correspondência para: Maria Odete Pereira Hidalgo de Araújo, e-mail: m.odetepereira@gmail.com
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