CUIDAR DO DOENTE DE AIDS NA PERSPECTIVA DO ACADÊMICO DE ENFERMAGEM
Maria Aparecida da Silva
Marcele Otoni Nascimento
Sanny Ferreira Fernades
Introdução: Entre as doenças que constituem desafio para a enfermagem, a Aids assume relevância pelas altas taxas de morbidade e mortalidade. O preconceito e a discriminação modelaram as concepções acerca da definição, da transmissão, do contágio e do tratamento da doença, estigmatizando e afastando essas pessoas da sociedade (Daniel, 1991). Na graduação em Enfermagem, o contato com doentes de Aids acontece no sexto período, na disciplina Doenças Transmissíveis. No convívio, direto e indireto, o acadêmico sente dificuldades em lidar com o doente de Aids, mesmo tendo conhecimento de que o uso das precauções padrão são estratégias para evitar o contágio. Mesmo assim, o acadêmico é surpreendido pelo impacto de cuidar do paciente. Com o objetivo de compreender a percepção e as expectativas do cuidar do doente de Aids na perspectiva de acadêmicos do sexto período de Enfermagem da UCG, o caminho metodológico se pauta pela abordagem qualitativa, onde se entrevistou dez acadêmicos, com idade entre 21 e 34 anos, que cursavam a disciplina Enfermagem em Doenças Transmissíveis no semestre de 2002/2. Com a interpretação dos dados emergiram os resultados sob três perspectivas: Conhecimento sobre Aids - o acadêmico ainda detém um conhecimento insipiente sobre a Aids além de reproduzir conceitos equivocados sobre a doença. Para Meneghin (1996), a falta do conhecimento sobre Aids e o modo errôneo divulgado nos meios de comunicação, contribuíram para disseminar o preconceito e a discriminação do portador da Aids; Sentimentos e reações ante a possibilidade de cuidar do doente de Aids - aparece a “ansiedade” gerada pela expectativa da nova situação que ora se apresenta, seguida de manifestações de “medo”. O desvelar dos sentimentos ante a possibilidade de cuidar de um paciente com Aids mostra que o medo do desconhecido desperta no acadêmico uma certa ansiedade, pois, no imaginário, “lidar com este tipo de doença é muito difícil”; A percepção sobre o doente de Aids no imaginário do acadêmico de enfermagem - alguns acadêmicos ao se imaginarem cuidando do doente de Aids sentem o desejo de “ajudá-los”, “melhorar a qualidade de vida” deles, de “humanização”, outros porém, demonstram restrições, preferindo não cuidar desse grupo de doentes. Compreende-se que os acadêmicos se preocupam em prestar um atendimento humanizado, apesar de sentirem-se inseguros ao se imaginarem confrontando com a Aids, sendo necessárias novas formas de interação entre acadêmico e o doente de Aids.
Correspondência para: Maria Aparecida da Silva, e-mail: m.silva@ucg.br
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