SER ENFERMEIRO: A PERCEPÇÃO DO GRADUANDO EM ENFERMAGEM
Suiara de Melo Maciel
Elisângela Guimarães Soares
Sônia Maria Nunes Viana
A Enfermagem é a maior detentora de profissionais que atuam na área de saúde, porém a desvalorização do enfermeiro é visível até os dias de hoje. Mesmo em meio a esta desvalorização, é uma das profissões mais implantadas nas universidades. Devido a estes fatores, o estudo a seguir propõe-se a analisar a percepção sobre o Ser-Enfermeiro dos ingressos e egressos de Enfermagem de uma Instituição privada de Ensino Superior. O mesmo foi desenvolvido no 2o semestre de 2004, com uma amostragem intencional composta por 39 acadêmicos do 1o período (Grupo A) e 40 do 7o (Grupo B), ambos no turno matutino. O Grupo A ainda o referencia como auxiliar de médico, para o B, trata-se de um profissional que promove a saúde e previne a doença, e que vem se destacando no cenário da política nacional de saúde, liberal, holista e generalista. Para ambos, o Enfermeiro é delineado como um profissional que atua em diversas áreas. Sua atuação comumente está ligada ao hospital ou às unidades básicas de saúde. Quanto à atuação, para o Grupo A, a assistência curativa se destacou, donde se traduz o apelo a uma imagem hospitalocêntrica. Destaca-se ainda a percepção do mesmo como ator no cenário da educação e pesquisa, ainda que em menor proporção. Em contrapartida, o Grupo B já consegue visualizá-lo como profissional generalista, capaz de desenvolver suas atividades nas mais diversas áreas, indo desde a pesquisa, educação, saúde coletiva e assistência curativa. Assim, define-se o Grupo A como detentor de uma visão ainda muito distorcida da profissão descrevendo o Enfermeiro como um secretário de médico, sob a ótica destorcida de um profissional que não possui sua identidade e que é apenas um executor de ações delegadas. Para o Grupo B, não obstante holista, é pouco reconhecido. Tal fato se dá pela não imposição profissional destes ante as esferas governamentais, para garantir o direito de identidade própria, com acesso ao saber em todas as sua instâncias, desde a graduação até o doutorado, com acesso a bolsas de estudos, em igualdade de condições com outras áreas profissionais. Diante das considerações acima, percebe-se quão emergente é a necessidade de se implementar as estratégias no ensino de enfermagem no Brasil, a fim de subsidiar a formação de profissionais mais conscientes de seus direitos e deveres e reconhecidos dentro do panorama sócio-político e econômico da saúde.
Correspondência para: Elisângela Guimarães Soares, e-mail: lisaguimaso@yahoo.com.br
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