Goiânia, 07 de novembro de 2005.

VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA A MULHER: UMA QUESTÃO DE GÊNERO

Fabio Zanrosso

Gessi Maria Cardoso

Débora Fransceschini

Larissa Daiane Osowski Barreto

Roselaine Roratto Muner

Suelen Benedita

INTRODUÇÃO: A violência contra a mulher é uma manifestação das relações sociais de sexo e poder, historicamente desigual entre homens e mulheres. Os atos ou ameaças de violência infundem medo e insegurança e tem conseqüências psicológicas muitas vezes irreversíveis como suicídios, impotência e incapacidade de agir, desespero e sensação de abandono, perda da auto-estima, dentre outros. OBJETIVO: Identificar as principais formas de violência sexual contra a mulher nas relações de casal e suas conseqüências. METODOLOGIA: Utilizou-se o método descritivo exploratório com abordagem qualitativa e entrevista semi-estruturada, aplicada de setembro à novembro/2004 à clientela da UBS do Bairro Faculdade de Cascavel, Pr. RESULTADOS: A idade predominante foi a de 29 a 30 anos (80%). 70% têm dois/três filhos e 30% nenhum. 20% são analfabetas, 20% 1º grau incompleto, 20% Ensino Médio e 20% Curso Superior. 70% são católicas e 30% de outras crenças religiosas. 70% são brancas, 20% pardas e 10% pretas. 30% diaristas, 50% professoras, agente comunitário de saúde e auxiliar de comércio e 20% agropecuaristas. A renda mensal varia de R$ 500,00 a R$ 1. 000,00. Como lazer 80% visitam familiares e amigos e 60% assistem televisão. 20% freqüentam culto religioso. 20% de seus companheiros são motoristas, agricultores e auxiliares de serviços gerais. Os demais catador de lixo, garagista, gerente de vendas e professor. 40% coabitam há mais de uma década, 40% menos e 20% mais de 20 anos. Referente ao prazer de fazer sexo 70% não gosta e 30% sim. Apesar de 70% não gostar, 10% copula a cada quinze dias, 60% quatro a sete vezes por semana e 30% duas a três vezes semanais. Quanto às conseqüências por parte do companheiro por não estar a fim de fazer sexo 70% sofreram agressões físicas e morais. Quanto ao sentimento após a agressão 70% sentem ódio e raiva, 30% desespero e solidão. 80% não usam álcool ou drogas antes do coito e 20% utilizam bebida alcoólica e maconha. CONCLUSÃO: Considerando que o padrão de comportamento sexual permanece na posse sexual sobre a mulher, e que o comportamento violento dos homens tem sua referência no contexto normativo de construção da masculinidade, onde os sentimentos de insegurança e impotência podem ser negados e liberados pela violência, humilhação à sua vítima e submissão desta ao seu domínio, é necessário compreender os fatores desencadeantes deste processo, gerando consciência coletiva e compromisso frente a estes problemas.

Correspondência para: Fabio Zanrosso, e-mail: fabio_zanrosso@hotmail.com