Goiânia, 07 de novembro de 2005.

AS MUDANÇAS NO COTIDIANO DO JOVEM COM CÂNCER

Nen Nalu Alves das Mercês

Fabiane Ferraz

Luciana Martins da Rosa Àvila

Maria do Horto Fontoura Cartana

Marta Lenise do Prado

Sandra Marcia Soares Schmidt

Silvana Romagna Marcelino

Vânia Marli Schubert Backes

O câncer é um agravo crônico não transmissível provocado pela disfunção do processo de reprodução celular. Quando pensamos no jovem com câncer – é como se esse grupo não estivesse suscetível a essa doença. Pensamos no jovem como um ser humano vivenciando um processo de crescimento em busca da maturidade biopsicossocial; passando por conflitos internos e externos, procurando organizar-se e se estruturar para poder atingir a sua identidade e sua inserção no mundo que o cerca consolidando assim a sua personalidade. Objetivou-se conhecer as mudanças no cotidiano do jovem após o diagnóstico de câncer. O estudo foi de caráter exploratório, numa abordagem qualitativa realizada em duas Instituições de Saúde do Sul do Brasil, que assistem o adolescente com câncer nas diversas etapas do processo de doença, desde o diagnóstico até o óbito. O grupo foi de 40 jovens. A coleta de dados se realizou no período de junho a dezembro de 2003, através da técnica de entrevista semi-estruturada, com um roteiro de questões abertas. A análise foi realizada pelo método de análise de conteúdo utilizando as etapas metodológicas proposta por Laurence Bardin. O grupo estudado encontrava-se na faixa etária entre 13 a 24 anos, sendo que 50% estavam na faixa etária dos 16 aos 22 anos, portanto um expressivo número de adolescentes caminhando para a última etapa da juventude; do total 65% são do sexo masculino e 35% do feminino. Na análise foram levantadas as redes de significados das mudanças ocorridas no cotidiano após o diagnóstico de câncer, construídas através da associação da categoria temática a cada fala e frase significativa dos conteúdos representacionais. as mudanças apontadas pelos jovens são as perdas - afetivas, ocupacionais, financeira, lazer, liberdade - a impossibilidade de ir a escola, de brincar, o sofrimento, a dor, não poder comer os alimentos que antes utilizavam, os sintomas da doença, os efeitos colaterais do tratamento, principalmente a náusea e o vômito; os tratamentos e procedimentos, como: quimioterapia, radioterapia, colocação de cateter, exames, as alterações da imagem corporal, o preconceito e a finitude. As mudanças no cotidiano do jovem surgem como manifestações integradas do modo como o jovem apreende o mundo e sua vivência com o processo de doença e terapêutica, podendo ser compartilhado ou refletir um modo particular, principalmente nas situações em que essa experiência subjetiva envolve fatos cujo enfrentamento é difícil ou negado.

Correspondência para: Nen Nalu Alves das Mercês, e-mail: nennalu@univali.br