Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ENSINO, PESQUISA E AVALIAÇÃO DE SERVIÇOS: UM ESTÁGIO NA COMUNIDADE.

Rosylaine Moura

Gilciane Bolzan Wansing

Daiane Beise

A formação do enfermeiro antes voltada eminentemente para a prática hospitalar necessita já a algum tempo de adequações que dêem conta das exigências trazidas pelas novas práticas públicas de saúde e pela complexidade dos problemas de saúde contemporâneos. Num país com uma cruel desigualdade social como o nosso, a inserção do acadêmico de enfermagem na comunidade desenha-se como um “mergulho no real”, desmentindo a fama de que na Universidade vive-se em uma “torre de marfim”. Este texto tem como objetivo relatar as experiências vivenciadas por acadêmicos do Curso de Enfermagem da Universidade de Santa Cruz do Sul no estágio curricular em Saúde da Comunidade e também descrever as possibilidades de aliar atividades de ensino, pesquisa e avaliação de serviços num único estágio. A inserção na comunidade deu-se através das equipes de saúde da família e de seus agentes comunitários de saúde em bairros populares na periferia de Santa Cruz do Sul. Inúmeras têm sido as dificuldades enfrentadas na implementação da estratégia de saúde da família no Brasil. Dentre estas dificuldades entendemos que, o planejamento de ações voltadas para as reais dificuldades da população, a partir de um diagnóstico de comunidade, desponta como uma das principais. Com este intuito, realizou-se durante o estágio um micro-diagnóstico de saúde infantil. Através de 227 visitas domiciliares, utilizando-se de um roteiro estruturado de entrevista, os acadêmicos coletaram dados de saúde infantil, como: condições de nascimento, internações hospitalares, recordatório alimentar, principais doenças, utilização de serviços de saúde entre outros. Estes dados depois de coletados e analisados foram apresentados através de um seminário integrador entre universidade e serviços de saúde, suscitando diversas discussões à cerca das adequações necessárias nas ações de saúde da criança oferecidas à comunidade. Também através das visitas domiciliares foi possível aos acadêmicos conhecer a realidade das famílias, sua forma de viver e de se relacionar, sua forma de organização e de resolução de problemas. Esta aproximação do real trouxe aos acadêmicos vários sentimentos complexos e contraditórios, como indignação, revolta, consternação. Também possibilitou ao aluno aproximar-se do saber popular, da linguagem cotidiana das classes populares, proporcionando-lhe a necessidade de adequar sua fala científica em uma fala capaz de ser compreendida pela população.

Correspondência para: Rosylaine Moura, e-mail: rmoura@unisc.br