Goiânia, 07 de novembro de 2005.

TRABALHO DOCENTE EM ENFERMAGEM: GLOBALIZAÇÃO E PRECARIZAÇÃO

Cristiane Pessoa da Cunha Lacaz

Greicelene Aparecida Hespanhol Bassinello

Lourdes Missio

Lucia Pedroso da Cruz

Maria Helena Salgado Bagnato

Rogério Dias Renovato

O ensino de Enfermagem, em qualquer nível de formação, demanda que voltemos nossos olhares para as transformações geradas pelo processo de globalização e as conseqüentes mudanças nos contextos socioeconômico, político, cultural e educacional. Com as novas exigências do processo produtivo, a partir de 1996, vieram redefinições na Educação Profissional que foi desvinculada do Ensino Médio. O novo itinerário proposto, preocupa-se com a redução de custos, estreitando o vínculo entre currículo e mercado de trabalho, e para tanto, traz um modelo curricular flexível, organizado em módulos complementares e seqüenciais. Neste texto, refletimos sobre a precarização do trabalho docente, em que o enfermeiro - trabalhador assalariado - tanto nas redes pública quanto privada de saúde, busca, muitas vezes, complementar a renda, em função dos baixos salários. O Ensino Profissional em Enfermagem torna-se assim um atrativo, mas faz da docência uma atividade secundária, conciliada com a primeira opção de trabalho em hospitais ou unidades de saúde. Estudos de diversos autores como Kuenzer (1997), Oliveira et al. (2002), Ebisui (2004), indicam que cresceu o número de escolas profissionalizantes (principalmente no setor privado); os contratos temporários e de demissões sem direitos adicionais. Além disso, este modelo também pode colaborar para a precarização do trabalho pedagógico, pois, em caso de remuneração por hora-aula, desconsidera-se a organização do trabalho educativo que precede o ato propriamente dito, as leituras e discussões de trabalhos e outras avaliações. Existe ainda, a forma de contratação por módulos, em que o profissional ministra um fragmento do curso, respondendo por determinado bloco de aulas teóricas ou de estágios, o que distancia a relação teoria-prática. Com a maior rotatividade no setor e vínculos cada vez mais frágeis, diminui o compromisso com o projeto político pedagógico da instituição de ensino. O docente fica reduzido a uma simples peça na engrenagem de uma indústria de ensino, formadora de massas de trabalhadores na área da Saúde, inseridos em um mercado que prioriza a formação técnica em detrimento de outras dimensões. É fundamental conhecer as reais condições de trabalho desses profissionais, envolvendo-os em amplos debates, com a participação das entidades de classe e de órgãos responsáveis pela elaboração de políticas públicas dos setores da Saúde e da Educação. Assim talvez seja possível delinear novos rumos no ensino de Enfermagem.

Correspondência para: Lourdes Missio, e-mail: lourdesmissio@terra.com.br