Goiânia, 07 de novembro de 2005.

O CUIDAR DE ENFERMAGEM À CRIANÇA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR

Teresa Jesus de Oliveira

Benedita Maria Rêgo Deusdará Rodrigues

Através de minhas experiências ao cuidar de crianças vítimas de violência intrafamiliar, pude observar a falta de uma atenção específica para com essas crianças. Essa inquietação levou-me a um caminhar na perspectiva de através dos cuidadores, captar as suas experiências nesse cuidar, o que se constituiu no objeto de estudo. O objetivo foi o de apreender o típico da ação desse cuidar, cujos sujeitos foram os Enfermeiros de uma Instituição da rede pública, no Rio de Janeiro. A abordagem qualitativa com ênfase na Fenomenologia Sociológica de Alfred Schütz me proporcionou entender que o cuidar desenvolvido pelo Enfermeiro deve ser percebido como uma ação social. Assim, utilizei a Teoria de Jean Watson que chama a atenção para que os profissionais sejam ontologicamente e tecnicamente competentes para atingir novos modelos a partir das características essenciais da experiência. A entrevista fenomenológica foi a técnica utilizada para a apreensão das falas, com a seguinte questão orientadora: Como você tem atendido crianças vítimas de violência intrafamiliar, tendo em vista o cuidar em enfermagem para estas crianças? A interpretação do típico da ação dos Enfermeiros nos mostrou características intersubjetivas, inseridas no mundo do cotidiano, voltadas para projetos futuros, mas, com influências significativas de experiências e vivências anteriores. Deste modo, o típico da ação do Enfermeiro que cuida de crianças vítimas de violência intrafamiliar estabeleceu-se como motivo para, o cuidar através da conquista da confiança visando à aproximação, da observação para poder interferir, do acolher a criança com sensibilidade, de fazer parte de um grupo multiprofissional, necessitando de preparo para esse tipo de atendimento e que envolva a família nesse cuidar. Já o motivo porque, dar-se-á compreendendo o ato da violência, os sentimentos da criança vitimizada, as dificuldades em atuar na situação de violência, que traz sofrimento para o Enfermeiro e a violência como um problema social que em alguns momentos é banalizada. Destaco que ao cuidar de crianças vítimas de violência intrafamiliar o Enfermeiro deve estar alerta para atender não, apenas, ao preconizado nos Programas de Saúde, mas, sobretudo pautado nas reais necessidades das crianças e suas famílias, não se esquecendo do profissional envolvido neste processo. O preparo do profissional deve se dar de modo contínuo, através de atividades como debates, seminários, cursos de atualização, dentre outros.

Correspondência para: Teresa Jesus de Oliveira, e-mail: teresajesust@uol.com.br