Goiânia, 07 de novembro de 2005.

MENINAS COM HISTÓRIA DE VIDA NA RUA: UM OLHAR DAS TRANSIÇÕES

Normalene Sena de Oliveira

Marcelo Medeiros

Deanne K. Hilfinger Messias

INTRODUÇÃO: Ao falarmos de resgate na realidade de meninas em situação de rua, podemos definir como a busca contínua de outras formas de sobrevivência capaz de redimensionar a própria vida. Neste contexto encontramos rostos desfigurados, abandonados, carentes, marginalizados, excluídos e com uma saúde mental fragilizada, expostos a todos os riscos com uma história de vida marcada pela violência física familiar, sexual, psicológica e social, que as obriga muitas vezes a abandonarem seus grupos de convivência e partirem para a rua em busca de novas alternativas de sobrevivência. A realidade apresenta meninas vítimas de abuso sexual de pais, padrastos ou de parentes próximos e com gravidez precoce e indesejada, em decorrência a estes fatores como também a prostituição e a vida na rua. Aqui entendemos transição como mudanças que ocorrem a nível biológico, fisiológico, psicológicos, estruturais e institucionais, que desencadeia um processo de resiliência em cada individuo segundo a sua natureza, situacional, saúde doença ou organizacional, tendo presente que não existe transição sem mudança, mas que nem toda mudança é uma transição, o que para entender este processo das transições é necessário a descrição dos efeitos e significados envolvidos na mudança. OBJETIVO: Identificar o fenômeno das transições em meninas com experiência de vida nas ruas. METODOLOGIA: Trabalho de abordagem qualitativa com a utilização dos princípios metodológicos da teoria das transições e do estudo de caso com 8 meninas com história de vida na rua e que passaram por uma Instituição abrigo, onde os dados foram obtidos através da entrevista semi-estruturada, registro em diário de campo e observação participante. RESULTADOS: Ao que se refere às meninas com história de vida nas ruas identificamos diversas transições que ocorrem neste processo família, rua, abrigos temporários, casa lar, nova família, como: fatores familiares relacionados ao relacionamento, situação econômica e social, facilitadores e inibidores no nível pessoal, social e comunitário. Pontos críticos, tempo decorrido, mudanças e diferenças, compromissos, conscientização, os padrões de respostas que são os indicadores do processo e indicadores de resultados, a natureza das transições, padrões e as possíveis terapias que foram aplicadas neste processo.

Correspondência para: Normalene Sena de Oliveira, e-mail: normalene@bol.com.br