RELAÇÃO INTERPESSOAL COM MENINAS COM HISTÓRIA DE VIDA NA RUA
Normalene Sena de Oliveira
Marcelo Medeiros
INTRODUÇÃO: Ser pessoa no contexto de meninas com história de vida na rua é uma conquista que exige determinação e coragem de quem já nasceu excluído por um sistema político econômico e social marcado pela desigualdade que divide os seres humanos em mundos opostos. Sendo assim falar do cuidado humano e vivencia-lo como profissionais de saúde junto a estas populações é um desafio contínuo que nos impulsiona e ao mesmo tempo questiona quanto as relações interpessoais no cuidar. Percebemos que é relevante para o Ser e Fazer Enfermagem junto a meninas com história de vida nas ruas, o conhecimento-técnico-cientifico, e pratico, para implementar ações que viabilizem o exercício da cidadania OBJETIVO: Identificar habilidades de meninas com história de vida nas ruas, no ser pessoa na relação interpessoal no cotidiano em uma casa lar. METODOLOGIA: Relato de experiência no acompanhamento personalizado a um grupo de 10 meninas de uma casa lar com história de vida nas ruas. Para tanto foi utilizada a técnica da observação participante com anotações em diário de campo, e entrevista semi-estruturada. RESULTADOS: Embora as experiências anteriores desta população tenham deixado marcas profundas em relação ao não sentir-se pessoa com potencialidades, no cotidiano das relações, ao confrontar-se e caminhar junto com uma equipe interdisciplinar sob a coordenação da Enfermagem que proporciona um cuidar da saúde integral em parceria com a própria população-sujeito, desencadeia a relação interpessoal profunda em que capacita o ser humano para a autonomia, maturidade e desenvolvimento das próprias habilidades. As habilidades identificadas a partir dos sujeitos foram: Coragem na superação dos próprios limites, do grupo, abertura ao diferente, co-responsabilidade, lealdade, verdadeiras, solidárias, valorização da vida etc. CONSIDERAÇÕES FINAIS: No cotidiano das relações interpessoais o fato de se sentirem num espaço que lhes é próprio, compreendidas no processo pessoal, contribui para a superação dos desafios nas relações, especialmente quando emerge alguns sentimentos que foram vividos em alguma etapa de suas vidas e que deixaram marcas negativas. Quando acolhidas na fragilidade sentem-se seguras, amadas como pessoa humana, gente e não objeto. O ser pessoa na relação interpessoal com meninas com história de vida nas ruas é um processo que se dá a partir de um cativar, deixar-se conhecer de ambas as partes.
Correspondência para: Normalene Sena de Oliveira, e-mail: normalene@bol.com.br
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