Goiânia, 07 de novembro de 2005.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA NOS CONTATOS DE CASOS DE HANSENÍASE

Elaine Oliveira da Silva

Ana Cristina de Lima

Rita Lourenço Gomes

Elizabeth de Souza Gomes

INTRODUÇÃO: A recomendação vigente no Brasil determina o exame de todos os contatos intradomiciliares dos casos novos de todas as formas clínicas, a orientação quanto ao período de incubação, transmissão, sinais e sintomas da doença, com retorno ao serviço, se necessário. Após o exame, os contatos doentes devem receber o tratamento específico no momento do diagnóstico e aqueles sadios devem ser encaminhados para a aplicação da BCG, o que aumenta a resistência contra as formas MB da doença. O cumprimento desta recomendação parece ser precário no país, e no modelo atual de saúde, a descoberta de casos de hanseníase acontece principalmente de forma passiva. OBJETIVO: Avaliar a cobertura de contatos de hanseníase no 2ª distrito de D. Caxias; examinar os contactantes para detecção e tratamento precoce dos casos, bem como aplicar as medidas profiláticas recomendadas. METODOLOGIA: Inquérito domiciliar, a partir dos casos notificados no período de 1998-2002. Equipes muldisciplinar procedem visita nos domicílios e peridomicilios visando o exame dermato-neurológico, cobertura de BCG e entrevista sobre a representação social da doença. RESULTADOS: A cobertura do exame de contatos domiciliares e peridomiciliares, no período do estudo, na rotina das US do 2o distrito de DC foi de 42,2 e 18,4 % respectivamente. As visitas domiciliares da pesquisa foram responsáveis por cobrir 56,8% dos contatos domiciliares e 65,6 dos peridomiciliares que não haviam sido examinados antes pela rotina do programa de hanseníase, um rendimento de 79,4%, que eleva a cobertura dos contatos do segundo distrito no período para 86,6%. Entre todos os contatos examinados (1. 844), foram confirmados 24 casos novos de hanseníase, através do exame clínico e/ou histopatológico. Entre os pacientes confirmados, 14 (58,3%) eram contatos domiciliares e 10 (41,7%) peridomiciliares. CONCLUSÕES: Ressalta-se a pequena diferença entre os casos detectados entre contatos domiciliares e peridomiciliares, o que leva à revisão das normas vigentes, que incluem apenas os domiciliares. Conclui-se que a VD é uma atividade negligenciada na hanseníase, embora os autores ressaltam as dificuldades operacionais para o exame de contatos em área urbana. A pesquisa operacional em questão demandou tempo e recursos, não atingindo 90% dos contatos, de acordo com a meta. Recomendam-se a busca de novas estratégias para melhorar o desempenho da atividade. Apoio NRL

Correspondência para: Elaine Oliveira da Silva, e-mail: elaineosilva2003@ig.com.br