Goiânia, 07 de novembro de 2005.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA À CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O OLHAR DA ENFERMAGEM

Danielle Boing Bernardes

Laura Cristina da Silva

Falar sobre violência doméstica contra criança e adolescente geralmente nos gera certo desconforto, principalmente por saber da nossa responsabilidade social. No entanto abordar este assunto e descrevê-lo em suas mais variadas instâncias, nos faz reconhecer a impotência, inconformação, incapacidade, tristeza e por que não, desinformação. Provavelmente são vários os sentimentos que circundam este fenômeno e que nos faz evitar discutir sobre essa problemática junto aos profissionais com quem compartilhamos na nossa prática profissional. Ao iniciarmos um projeto de pesquisa sobre que ações teria a enfermagem no cuidado a estas crianças, buscamos na literatura o que estava sendo produzido pela comunidade acadêmica de enfermagem, para fazer um resgate e revisão de literatura sobre que cuidados já estavam sendo implementados pela equipe de enfermagem a esta clientela. Portanto este estudo pretendeu através de uma pesquisa bibliográfica conhecer de que forma o fenômeno da violência doméstica contra crianças e adolescentes estava sendo discutido pela enfermagem nos trabalhos acadêmicos. Este se justificou por percebermos, que no levantamento dos trabalhos realizados, pouco se aborda o papel da enfermagem frente à situação de violência doméstica. Acreditamos que isto provavelmente deve-se a dificuldade que os profissionais da enfermagem têm em cuidar desta clientela diante a esta situação de violência doméstica. Este estudo propiciou a compreensão de que, enquanto enfermeiras atuantes em uma unidade pediátrica que constantemente cuidar de criança nesta situação, precisamos divulgar mais a atuação da enfermagem que acaba por fazer do seu cuidado uma ação invisível. É preciso buscar parcerias para a atuação mais efetiva junto à criança vitimada e a enfermagem pode significar a ponte. A partir disso foram levantadas teses e dissertações na área da enfermagem, realizadas pelos profissionais que atuam em Santa Catarina, que abordaram o fenômeno da violência doméstica contra crianças e adolescentes sob todos os olhares de 2000 a 2004. Pudemos observar através deste levantamento que muito pouco está sendo produzido pela enfermagem e todas as publicações não abordam a violência doméstica de uma forma integral, os trabalhos discutem sobre os tipos de violência doméstica isoladamente, ou seja, abordam ou apenas a violência sexual, ou a violência física.

Correspondência para: Laura Cristina da Silva, e-mail: lislaura@terra.com.br