Goiânia, 07 de novembro de 2005.

ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO DOS PARTOS COM ATENDIMENTO HUMANIZADO

Elisângela Eurípedes Rezende Guimarães

Maria Eliane Liégio Matão

Maria Madalena Lacerda da Silva

Lorena de Almeida Ribeiro Prudente

Valdir Geraldo de Paula Albernaz

Fernanda Borges Goulart

Nos últimos anos, organismos internacionais e nacionais têm reunido esforços no sentido de reduzir os índices de morbi-mortalidade materna e neonatal. Uma das estratégias adotadas refere-se ao incentivo do parto normal e nascimento humanizados e a conseqüente redução de práticas intervencionistas na área obstétrica. A desmistificação do parto no país é tarefa que exige tempo e persistência, envolvendo a reorganização do pré-natal, parto e puerpério, devolvendo à mulher o direito de ser mãe com segurança e autonomia. Em Goiânia esse trabalho vem acontecendo gradualmente, especialmente por meio de parcerias entre gestores, profissionais de saúde e comunidades. Esse objetiva identificar os aspectos epidemiológicos relativos aos partos e nascimentos ocorridos em maternidade pública de referência em assistência humanizada, localizado em Goiânia, no ano de 2001. Trata-se de estudo descritivo analítico, com abordagem quantitativa, cujos dados foram obtidos a partir dos registros em livros das salas de pré-parto, parto e puerpério (PPP), os quais foram inseridos em banco de dados construído por meio do Programa Epi Info versão 6. 4, software em que as análises estatísticas foram realizadas, inclusive os testes que permitiram avaliar associações entre as variáveis de maior repercussão sobre o binômio mãe-bebê, para as quais foram estimados valores de p, X2 e OR, com seus respectivos intervalos de confiança a 95%. Foram realizados 2. 125 partos no período, sendo a média mensal de 176,2 ao mês. Desse total, 78% foram normais, 21,9% cesária e 1% com auxílio de fórceps. Há elevado percentual (35%) de parturientes adolescentes, com predomínio de parto normal entre as mesmas. Constatou-se associação estatisticamente significativa entre a idade da mãe e o tipo de parto (p< 0,05), em que adolescentes são menos submetidas ao parto cesaria em relação aos demais grupos etários. A avaliação do Apgar em relação do tipo de parto não mostrou variações significativas. Quanto ao período de maior ocorrência, o noturno predominou com 78,4% de partos normais, 21,5% cesária e 0,1% fórceps. Os resultados permitem concluir que o número de partos normais ocorridos foram superiores ao número dos demais tipos, atingido índice preconizado pelo MS para as taxas de cesária. Assim, pode-se afirmar que a maternidade em tela cumpriu com sua missão institucional, contribuindo para o resgate do parto como processo natural e fisiológico, bem como para o empoderamento da mulher.

Correspondência para: Maria Eliane Liégio Matão, e-mail:

liegio@ih.com.br