Goiânia, 07 de novembro de 2005.

SISTEMA PRISIONAL E REEDUCANDOS DOENTES DE AIDS

Marcus César L. da Silva Leal

Sebastião José de Souza

Maria Eliane Liégio Matão

Fernanda Guillarducci Pereira

Ana Maria de Oliveira

Boaventura Braz de Queiroz

A rigor, não se conhece o número de reeducandos com HIV/Aids no sistema prisional do país, mas dados disponíveis permitem afirmar que os índices são altos. Os detentos vivem em condições sub-humanas, insalubres e de superlotação, além da ausência de políticas de saúde para o setor. Descrever o perfil dos reeducandos da Agência Goiana do Sistema Prisional com Aids em tratamento HDT. Estudo descritivo com abordagem quantitativa, realizado a partir dos prontuários dos detentos em tratamento no HDT. Análise estatística realizada pelo programa Epi Info, bem como a construção das tabelas e gráficos. A maioria dos reeducandos com Aids em tratamento no HDT é do sexo masculino, heterossexual, solteiro, adulto, em média com 33 anos de idade. Tem poucos anos de estudo, nenhuma formação profissional e maior vulnerabilidade para a reinfecção, devido aos múltiplos parceiros e não uso do preservativo. A metade diagnosticou a doença após apresentar sintomatologia da Aids, sendo caquexia, diarréia, pneumonia as mais freqüentes. O diagnóstico nessa população aconteceu na fase mais avançada da doença, permitindo assertivas e questionamentos acerca dos múltiplos fatores relacionados ao agravo nesse sistema prisional, que não difere dos demais do país. O perfil delineado assemelha-se aos de outros estudos realizados no Sistema Penitenciário Brasileiro. Pode-se dizer da necessidade do sistema carcerário intensificar ações de prevenção da transmissão do HIV e medidas para o diagnóstico precoce, no sentido de minimizar os índices do agravo, mas para proporcionar à essa população os benefícios da profilático da Aids.

Correspondência para: Maria Eliane Liégio Matão, e-mail:

liegio@ih.com.br