Goiânia, 07 de novembro de 2005.

CONSTRUINDO A ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM IGUALITÁRIA

Kaneji Shiratori

Ana Lúcia Jesuíno

Trata-se de estudo com o OBJETIVO analisar os sentimentos dos profissionais de enfermagem ao cuidar de paciente marginalizado nas emergências, identificado pelo Estado como “fora da lei” e pela sociedade como bandidos. METODOLOGIA: Utilizou-se a abordagem qualitativa, com entrevista de 22 profissionais de enfermagem, que prestavam assistência direta aos usuários do sistema de saúde, nas Unidades de emergência do Município do Rio de Janeiro. RESULTADO: Obteve-se duas categorias de análise: emergência: destituição e exclusão; e, formulações de imagens sobre o “fora da lei”. CONCLUSÃO: A prática da enfermagem nos serviços de emergência reproduz o processo de exclusão, separando de um lado, os cidadãos honestos e do outro aqueles cujo aspecto físico aproxima-se com a pobreza e a destituição de tudo, incluindo a dignidade. A enfermagem ao cuidar do paciente marginal, depara-se não apenas com os aspectos legais, mas também com a crise política e social decorrente da falência dos mecanismos tradicionais de controle que repercutem no cotidiano do profissional, pois ao cuidarem dos excluídos da sociedade por apresentarem danos à mesma, entendem que estes sejam incompatíveis com a moral e os bons costumes e desta maneira serem vistos como diferenciados dos outros. Esta não é uma visão com prerrogativa apenas da categoria de enfermagem, mas fruto de estigmas, construídos socialmente. Necessita-se, pois repensar e reinventar-se as práticas de enfermagem no conjunto da sociedade, de forma coletiva, pois não estamos diante de um problema singular desta categoria profissional.

Correspondência para: Kaneji Shiratori, e-mail: kanejish@yahoo.com.br