GASODUTO COARI-MANAUS: UMA EXPERIÊNCIA DE ENFERMAGEM
Nilton Vieira do Amaral
INTRODUÇÃO: Participar do "Programa de Desenvolvimento Sustentável do Gasoduto Coari-Manaus" como Enfermeiro representando à ULBRA, possibilitou-nos realizar uma pesquisa sobre as populações ribeirinhas visitadas pelo barco Zona Franca Verde nos Municípios de Anamã, Caapiranga e as comunidades que os cercam. Este programa é um conjunto de ações socioambiental e econômicas criadas a partir de um convênio entre a Petrobrás e o Gov. do Estado do Amazonas, como uma das condicionantes do licenciamento concedido pelo estado para a instalação da obra. OBJETIVOS: Traçar o perfil das pessoas que procuravam o barco para atendimento de saúde, conhecer suas queixas e alguns termos utilizados para definir suas aflições. METODOLOGIA: Pesquisa descritiva, observacional. RESULTADOS: Características das pessoas que procuravam o barco para atendimento - Baixa estatura, amistosas, olhar triste, algumas vezes desconfiadas, as mulheres buscavam mais o atendimento juntamente com sua prole (média 4-5 filhos), dificuldade de de expressar o que sente e de entendimento, carentes economicamente, número elevado de gestantes à procura de ultrasonorografia, pessoas vindas de de áreas de difícil acesso navegando em média 6-8 horas em suas rabetas/tracaia até o ponto onde estava ancorado o barco. Principais queixas de saúde - Fraqueza, falta de apetite, manchas pelo corpo, verminose, anemia, magreza, dor na barriga, no estômago, no corpo e nas cadeiras, lesões no couro cabeludo, pernas e braços, perda de cabelo, furo nos dentes e problemas ginecológicos. Termos usados para definir suas aflições - Dor no pé da barriga, colocar uma peça, gastura no juízo, tosse de gariba, perna ramosa, pano branco, colocador e puxador de ossos, ramo do ar, baqueado, amolestado, espírito das águas, bilotinho, carne crescida, carne rasgada, hemoróída de sangue, curuba. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As populações ribeirinhas do Amazonas em virtude da invasão das águas tem construido suas moradias sobre troncos que as mantém flutuantes e ancoradas a beira dos rios, formando bairros que acompanham o movimento das águas, as mesmas que utilizam para beber, de onde retiram parte de sua alimentação, realizam sua higiene, lazer, preparo de seus alimentos e também onde são depositados seus dejetos. Essa experiência no programa, mostrou que a maioria dos probleams de saúde dessas populações está, diretamente, relacionada com as questões básicas de saúde pública, sendo a princiapl o acesso a água tratada.
Correspondência para: Nilton Vieira do Amaral, e-mail: niltonvamaral@brturbo.com.br
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